Arquivo da tag: SUL GLOBAL

Universalizando o local ou localizando o universal

Por Miguel Mendes

Quantos autores do Sul Global você leu esse ano? Quantas referências teóricas não-ocidentais você possui? Quantas teorias brasileiras você estudou recentemente? Com base no artigo “Social sciences internationally: The problem of marginalisation and its consequences for the discipline of sociology“, da socióloga alemã Wiebke Keim, tentarei explicar estas e outras questões relativas ao modo como o conhecimento sociológico circula internacionalmente.

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Desaprender para seguir

Por Mayara Abrahão,

Em recente artigo, o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos analisa a Europa atual, suas crises e contradições, a partir do passado colonialista daquele continente. Santos propõe, desde o título de seu texto (Para uma Nova Visão da Europa: Aprender com o Sul), a “desaprendizagem/ reaprendizagem”, para que a Europa se veja não mais como grande potência, – que, segundo o autor, deixou de ser desde o fim da Segunda Guerra – mas como lugar de multiculturalismo. Para isso, Santos propõe estratégias adotada por países do Sul Global que, a partir dos paradigmas da modernidade européia, criaram novas formas de democracia, economia e constitucionalismo.

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Sociology in a tumultuous world. Interview with ISA President, Margaret Abraham

By Edmar M. Braga Filho, Leonel Salgueiro and Raphael Lebigre

We had the pleasure of interviewing Margaret Abraham, current President of International Sociological Association (ISA). Last year, she came to Brazil  to participate in a series of academic events, and Circuito Acadêmico couldn’t have missed this unique opportunity. We discussed topics about circulation of knowledge, gender inequality and activism in the social sciences. Have a look at the interview and enjoy the reading! Continuar lendo Sociology in a tumultuous world. Interview with ISA President, Margaret Abraham

A PERSISTÊNCIA DA COLONIALIDADE NA ACADEMIA – PARTE 2

Por Mayara Abrahão,

A Europa se tornou o centro do mundo graças à exploração das Américas, pelos espanhóis e portugueses, a partir do século XVI. Com isso, criou-se um novo modelo econômico e uma nova hegemonia cultural. É a partir dos valores coloniais que se constrói a Europa enquanto ideologia – pretensamente una e superior ao “resto” do mundo. O ideal de progresso transformou o não-europeu em sinônimo de atraso, a ser superado com a “ajuda” dos colonizadores (como discutido na primeira parte do texto).

Segundo o sociólogo peruano Aníbal Quijano, os europeus se julgaram inventores da modernidade, mas na verdade, o que se pode atribuir ao colonialismo europeu é a invenção da globalização (“sistema-mundo”) e não avanços tecnológicos, como se vem afirmando: Com todas as suas respectivas particularidades e diferenças, todas as chamadas altas culturas (China, Índia, Egito, Grécia, Maia-Asteca, Tauantinsuio) anteriores ao atual sistema-mundo, mostram inequivocamente os sinais dessa modernidade, incluído o racional científico, a secularização do pensamento, etc. (Quijano, 2005:112). Continuar lendo A PERSISTÊNCIA DA COLONIALIDADE NA ACADEMIA – PARTE 2

Um breve balanço do 39 Congresso da ANPOCS e do GT: Teorias e Relações Sul-Sul

Por Raphael Lebigre

Entre os dias 26-30, realizou-se o encontro anual da Associação Nacional de Pós-Graduação e de Pesquisa em Ciências Sociais (ANPOCS) em Caxambu, MG. Precisamente, nos dias 28 e 29 ocorreu o grupo de trabalho vinculado às relações internacionais, “Teorias e Relações Sul-Sul”. Infelizmente, devido à conjuntura de crise, estiveram ausentes três apresentadores e dois autores de painéis. Além do grupo em questão, foi notória a ausência de palestrantes no encontro, como um todo.

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A não exemplaridade na sociologia: entrevista com Marcelo Rosa

Por Edmar M. Braga Filho

Por mais de dez anos, o sociólogo Marcelo Rosa dedicou suas pesquisas à  compreensão do MST, sindicalismo rural e outros movimentos de sem-terras, analisando tanto suas relações internas quanto com o Estado. Porém, após entrar em contato com os movimentos sem-terra da África do Sul, o pesquisador notou que as referências teóricas consagradas não eram capazes de compreender a complexidade das lutas e dos processos que encontrou. Desde então, ele se dedica a buscar alternativas teóricas que não possuem como referencial os cânones da sociologia exemplar,  e que procurem compreender fenômenos sociais de contextos periféricos, ou do chamado Sul Global.  Confira abaixo a entrevista que o Circuito realizou com ele! Continuar lendo A não exemplaridade na sociologia: entrevista com Marcelo Rosa

Perspectivas críticas em diálogo

Por Edmar M. Braga Filho

As ciências sociais hegemônicas foram confrontadas por duas perspectivas críticas nas últimas décadas: a crítica pós-colonial e a crítica decolonial. Além de diferenças teóricas, ambas se distinguem quanto à localidade de suas reflexões e à extensão de seus quadros cronológicos. Contudo, é possível estabelecer um frutífero diálogo entre as duas tradições de pensamento, como faz a socióloga Gurminder Bhambra, em seu artigo Postcolonial and decolonial dialogues, 2014 Continuar lendo Perspectivas críticas em diálogo