Arquivo da tag: sociologia

Antonio Candido, sociólogo brasileiro

Por Vinícius Volcof Antunes,

Morreu no último dia 12 de maio, em São Paulo, o sociólogo Antonio Candido de Mello e Souza (1918-2017). Expoente de uma geração diretamente responsável pela institucionalização das ciências sociais no Brasil, sua morte repercutiu na imprensa nacional como poucas vezes visto com um dos nossos. Assim, somando-se a outros textos em que discutimos especificamente um(a) autor(a), esse texto se dispõe a prestar-lhe um tributo, ao mesmo tempo que oferece um breve sobrevoo sobre sua densa produção intelectual.

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“Não fale em crise, trabalhe” – Acumulando funções em tempos difíceis

Por Vinícius Volcof Antunes

Como muitos devem lembrar, a esdrúxula frase acima foi proferida pelo Presidente da República, Michel Temer, em seu primeiro pronunciamento oficial[1], na aparente tentativa de acalmar os brasileiros diante da crise econômica que ameaçava a empregabilidade no país. Quase um ano depois, apesar da reversão de certos índices econômicos, a taxa de desemprego alcança 13,7%, ou cerca de 14,2 milhões de pessoas (IBGE, 2017[2]). Dentro do escopo da produção científica nacional, três movimentos podem ser associados a esse cenário de inseguranças: dificuldades financeiras ou falência de instituições públicas de ensino e pesquisa, como a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ); cortes de financiamento nos órgãos de fomento, como no CNPq [3]e o atraso cumulativo das bolsas da Farperj[4]; e a contingente articulação dos profissionais em protestos e paralisações, como na recente Marcha pela Ciência[5], ocorrida em contexto global.

Nesse texto sugiro como a recessão econômica que atinge diretamente o emprego e a produção nacionais também expõe um duplo caráter das ciências sociais e de seus agentes, que teriam que cumprir a demanda de “explicar” ou “dar respostas” a fenômenos complexos de um mundo em rebuliço, ao mesmo tempo que eles mesmos vivenciam os efeitos dessa instabilidade. Assim, subvertendo a epígrafe presidencial, a ciência social seria aquela que trabalha falando de crise, tendo indissociável uma da outra.

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C/Ast #4

Por Vinícius Volcof Antunes

Retomando nossa produção de podcasts, no programa desse mês conversamos com as professoras da UFRJ Lívia Benkendorf de Oliveira e Julia Polessa sobre o movimento de ocupação que, desde 2014, tem tomado as escolas secundaristas do país e aspectos da reforma educacional proposta pelo governo.

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Sociology in a tumultuous world. Interview with ISA President, Margaret Abraham

By Edmar M. Braga Filho, Leonel Salgueiro and Raphael Lebigre

We had the pleasure of interviewing Margaret Abraham, current President of International Sociological Association (ISA). Last year, she came to Brazil  to participate in a series of academic events, and Circuito Acadêmico couldn’t have missed this unique opportunity. We discussed topics about circulation of knowledge, gender inequality and activism in the social sciences. Have a look at the interview and enjoy the reading! Continuar lendo Sociology in a tumultuous world. Interview with ISA President, Margaret Abraham

A PERSISTÊNCIA DA COLONIALIDADE NA ACADEMIA – PARTE 2

Por Mayara Abrahão,

A Europa se tornou o centro do mundo graças à exploração das Américas, pelos espanhóis e portugueses, a partir do século XVI. Com isso, criou-se um novo modelo econômico e uma nova hegemonia cultural. É a partir dos valores coloniais que se constrói a Europa enquanto ideologia – pretensamente una e superior ao “resto” do mundo. O ideal de progresso transformou o não-europeu em sinônimo de atraso, a ser superado com a “ajuda” dos colonizadores (como discutido na primeira parte do texto).

Segundo o sociólogo peruano Aníbal Quijano, os europeus se julgaram inventores da modernidade, mas na verdade, o que se pode atribuir ao colonialismo europeu é a invenção da globalização (“sistema-mundo”) e não avanços tecnológicos, como se vem afirmando: Com todas as suas respectivas particularidades e diferenças, todas as chamadas altas culturas (China, Índia, Egito, Grécia, Maia-Asteca, Tauantinsuio) anteriores ao atual sistema-mundo, mostram inequivocamente os sinais dessa modernidade, incluído o racional científico, a secularização do pensamento, etc. (Quijano, 2005:112). Continuar lendo A PERSISTÊNCIA DA COLONIALIDADE NA ACADEMIA – PARTE 2

Morfologias da sociologia brasileira

Por Edmar M. Braga Filho

Uma das vantagens da sociologia é a sua capacidade de aplicar os seus princípios a si mesma, numa espécie de autorreflexão cognitiva. Atentos às configurações que constituem a vida em sociedade, os sociólogos frequentemente refletem sobre o estado da disciplina. Partindo de um ponto de vista privilegiado, a perspectiva sociológica pode apontar mais perguntas do que respostas, como tentarei mostrar neste texto ou, seguindo Dwyer, Barbosa e Braga (2013), neste “esboço de uma morfologia da sociologia brasileira”. Continuar lendo Morfologias da sociologia brasileira

C/Ast #3

Por Vinícius Volcof Antunes

Depois de longo hiato, voltamos com o C/Ast, o podcast do Circuito Acadêmico, nosso espaço sonoro para debater temas ligados à sociologia e a produção e circulação do conhecimento científico.

Estreando nossa temporada 2016, começamos apresentando alguns dos nossos novos membros: Mayara Abrahão, Aurea Ferreira e Anna Carolina Duppre vieram contar o que estão preparando para suas publicações.  Já no nosso programa, recebemos  Barbara Machado e Caio Barros, membros do corpo editorial da revista Habitus, um periódico online voltado à divulgação da produção científica de graduandos.

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