Arquivo da tag: produção de conhecimento

Reflexões de uma mente insubordinável

Por Edmar M. Braga Filho

Falar de imperialismo pode causar certo desconforto para alguns. Por um lado, é visto com ceticismo e pouca seriedade por mentes mais conservadoras; por outro, é demasiadamente proferido por uma certa política high school. Todavia, há aqueles que levam o tema a sério, considerando-o um significativo elemento de compreensão e descrição do mundo, inclusive o mundo intelectual. Mas como isso se dá? Hussein Alatas, influente pensador indonésio, oferece uma análise crítica do estado da arte das ciências sociais empreendidas na Ásia e na África, sugerindo a existência de um “imperialismo intelectual”. Continuar lendo Reflexões de uma mente insubordinável

A antropologia frente a um novo mundo

Por Edmar M. Braga Filho

A produção do conhecimento científico não é imune às relações de poder de ordem histórica e sociológica. Isso se mostra verdadeiro na medida em que exploramos a constituição das disciplinas, intrinsecamente ligada com processos geopolíticos como o colonialismo e o nacionalismo. Contudo, essa relação entre saber e poder não é restrito ao passado. A produção global do conhecimento ainda se vê imersa em estruturas que privilegiam determinados contextos, em detrimento de outros. É o caso da antropologia, como nos mostra o antropólogo Gustavo Lins Ribeiro, em seu livro Outras Globalizações: cosmospolíticas pós-imperialistas. Continuar lendo A antropologia frente a um novo mundo

As ciências humanas e sociais sob o jugo das ciências biomédicas

Por Edmar M. Braga Filho

Todas as pesquisas científicas devem possuir um corpo de princípios éticos que as ampara.  De forma hiperbólica, um biomédico não pode sequestrar pessoas para colher sangue para seu experimento, da mesma forma que um sociólogo não pode induzir alguém a responder um questionário de acordo com suas preferências políticas. Desta forma, qual devem ser os parâmetros éticos de uma pesquisa científica? Para responder a tal questão, faz-se necessária uma outra: as pesquisas das ciências humanas e sociais devem ser regidas pelos mesmos princípios das ciências biomédicas? Certamente não. Continuar lendo As ciências humanas e sociais sob o jugo das ciências biomédicas

Por uma ruptura epistemológica nas ciências sociais

Por Edmar M. Braga Filho

A matriz prática que dá origem ao surgimento das ciências sociais é a necessidade de ‘ajustar’ a vida dos homens ao sistema de produção”. Em seu artigo Ciências Sociais, violência epistêmica e o problema da “invenção do outro”, encontrado no livro organizado por Edgardo Lander, A colonialidade do saber : Eurocentrismo e ciências sociais. Perspectivas latino-americanas, o filósofo colombiano Santiago Castro-Gómez relaciona o projeto de modernidade instituído na Europa a partir do século XVI ao colonialismo e ao surgimento das ciências sociais. Para o autor, a epistemologia deste ramo do saber está intrinsecamente ligada a processos excludentes e legitimadores de dispositivos disciplinares. Continuar lendo Por uma ruptura epistemológica nas ciências sociais

Questão de números (ou da falta deles)

Por Edmar M. Braga Filho

Em post anterior, a socióloga e presidente da Sociedade Brasileira de Sociologia, Soraya Vargas, afirmou que um dos impasses para a internacionalização da sociologia que é produzida no Brasil seria a nossa carência no ensino de abordagens quantitativas nas pesquisas, tanto no nível de graduação quanto no de pós-graduação. Tais abordagens seriam preponderantes nos outros países, o que possibilitaria um maior diálogo transnacional, bem como a realização de pesquisas comparativas. Essa carência é abordada pelo sociólogo e professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Ignacio Cano, em seu artigo Nas trincheiras do método: o ensino da metodologia das ciências sociais no Brasil. Continuar lendo Questão de números (ou da falta deles)

Voz, agência e representação – Spivak e os sujeitos subalternos

Por Edmar M. Braga Filho

Ler Spivak não é tarefa fácil. Sua linguagem complexa e seu agudo senso crítico exigem do leitor mais atenção do que de costume. Em seu artigo Pode o Subalterno Falar?, a autora mobiliza pensadores de diversas áreas do conhecimento para refletir sobre duas questões: a agência dos assim chamados sujeitos subalternos, e o papel do intelectual ao tentar representá-los. Continuar lendo Voz, agência e representação – Spivak e os sujeitos subalternos

Mulheres e o campo científico: desafios e avanços. Entrevista com Hildete Pereira. Parte II

Por Edmar M. Braga Filho

Na segunda e última parte da entrevista, a professora e economista Hildete Pereira trata da questão das diferenças entre homens e mulheres no campo científico. Mostra como há ainda uma considerável diferença quanto ao reconhecimento e  prestígio. Também dá destaque à conquista da licença maternidade para mestrandas e doutorandas, o que só foi possível através da luta das mulheres. Confira! Continuar lendo Mulheres e o campo científico: desafios e avanços. Entrevista com Hildete Pereira. Parte II