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“Existe algo sobre isso que não possa ser debatido?” Sobre as lacunas do ensino de ciências sociais no Brasil

Por: Helena Mattos

O ensaio se propõe a discutir as lacunas do ensino das ciências sociais no Brasil considerando minha experiência como estudante negra de ciências sociais.  Pretendo pontuar alguns aspectos, como a transmissão de saberes na academia, sobretudo em antropologia, e as implicações deficitárias que repercutem no novo alunado que tem sido incorporado a partir da política de ações afirmativas, em especial alunos pertencentes a grupos subalternizados.  A partir do ingresso de tais alunos na área de ciências sociais, se faz urgente repensar a forma como o curso é estruturado.
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A EMERGÊNCIA DE OUTRAS NARRATIVAS: VARIAÇÕES DA SOCIOLOGIA NA MODERNIDADE

Por Camillo Alvarenga,

Sob a forma de um relatório, proposto pela Fundação Calouste Gulbenkian, no contexto do projeto “Portugal 2000”, uma comissão formada por cientistas da África, Estados Unidos, Alemanha, Japão, França e Bélgica começa a pensar a trajetória das Ciências Sociais sob a hegemonia do Ocidente. Observa-se o reconhecimento do papel da Sociologia e demais humanidades a partir dos anos 60 como abertura a uma “ciência do complexo” em um diálogo cultural, enquanto no início dos anos 90, a expansão da universidade em suas formas de estrutura e organização social permitiu um processo de redefinição disciplinar, é o que nos diz, Immanuel Wallerstein, que assina como organizador da obra, Para abrir as Ciências Sociais, publicado pela Editora Cortez, aqui no Brasil. Ao considerar interpretações sobre os rumos da sociologia na modernidade, este ensaio quer demonstrar como a obra aborda e discuti os limites das fronteiras nas transformações da razão sociológica e da imaginação conceitual e teórica. É assim, a leitura deste estudo interdisciplinar e complexo serve para pensar e refletir os processos em que se envolvem as Ciências Sociais no decurso da modernidade.

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A não exemplaridade na sociologia: entrevista com Marcelo Rosa

Por Edmar M. Braga Filho

Por mais de dez anos, o sociólogo Marcelo Rosa dedicou suas pesquisas à  compreensão do MST, sindicalismo rural e outros movimentos de sem-terras, analisando tanto suas relações internas quanto com o Estado. Porém, após entrar em contato com os movimentos sem-terra da África do Sul, o pesquisador notou que as referências teóricas consagradas não eram capazes de compreender a complexidade das lutas e dos processos que encontrou. Desde então, ele se dedica a buscar alternativas teóricas que não possuem como referencial os cânones da sociologia exemplar,  e que procurem compreender fenômenos sociais de contextos periféricos, ou do chamado Sul Global.  Confira abaixo a entrevista que o Circuito realizou com ele! Continuar lendo A não exemplaridade na sociologia: entrevista com Marcelo Rosa

18 teses sobre a irrelevância nas ciências sociais

Por Edmar M. Braga Filho

Esse texto foi redigido seguindo estritamente as ideias delineadas pelo sociólogo Syed Farid Alatas, em seu artigo The Study of the Social Sciences in Developing Societies: Towards na Adequate Conceptualization of Relevance.

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Renovando a imaginação sociológica: por uma sociologia não exemplar

Por Edmar M. Braga Filho

Por trás de muitas análises sociológicas temos pressupostas as noções de modernidade, Estado, secularização, racionalização, entre muitas outras, norteando a forma como percebemos e interpretamos o cotidiano de nossa sociedade. Mas seria possível trocar as lentes de análise e estudar a realidade social de uma outra forma, que não se identifique com as noções anteriormente citadas? Para Marcelo C. Rosa é possível, por meio de uma sociologia que ele denomina de não exemplar, em seu texto Rumo a uma sociologia não exemplar: modernidade, decolonialidade e lutas por terra na África do Sul e Brasil.
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A mãe fundadora negligenciada – sociologia e androcentrismo

Por Edmar M. Braga Filho

O silêncio e a ausência costumam ser mais significativos que o dito e o evidenciado. As histórias oficiais são ritualmente contadas, e acabam sendo naturalizadas e eternizadas. Na iminência de se tornarem inquestionáveis, essas histórias são confrontadas por vozes dissonantes que, embora sempre estivessem presentes, nunca foram de fato ouvidas. Continuar lendo A mãe fundadora negligenciada – sociologia e androcentrismo

Restabelecendo as conexões: globalização, universalismo e o rejuvenescimento da sociologia

Por Edmar M. Braga Filho

A ciência pode ser caracterizada pelo seu universalismo e sua recusa a argumentos de autoridade, utilizando-se de critérios objetivos de análise. No caso da sociologia, tais caracterizações se tornam profundamente problemáticas. Como tornar universal um corpo de conhecimento que, em sua constituição, vincula-se à modernidade europeia, procurando compreender e explicar as transformações daquela sociedade? Como falar em parâmetros impessoais e objetivos se há uma divisão global do trabalho acadêmico (ALATAS, 2003), que reproduz assimetrias e desigualdades na produção e circulação do conhecimento? Alguns autores fornecem possíveis soluções para essas questões. Continuar lendo Restabelecendo as conexões: globalização, universalismo e o rejuvenescimento da sociologia