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A não exemplaridade na sociologia: entrevista com Marcelo Rosa

Por Edmar M. Braga Filho

Por mais de dez anos, o sociólogo Marcelo Rosa dedicou suas pesquisas à  compreensão do MST, sindicalismo rural e outros movimentos de sem-terras, analisando tanto suas relações internas quanto com o Estado. Porém, após entrar em contato com os movimentos sem-terra da África do Sul, o pesquisador notou que as referências teóricas consagradas não eram capazes de compreender a complexidade das lutas e dos processos que encontrou. Desde então, ele se dedica a buscar alternativas teóricas que não possuem como referencial os cânones da sociologia exemplar,  e que procurem compreender fenômenos sociais de contextos periféricos, ou do chamado Sul Global.  Confira abaixo a entrevista que o Circuito realizou com ele! Continuar lendo A não exemplaridade na sociologia: entrevista com Marcelo Rosa

Perspectivas críticas em diálogo

Por Edmar M. Braga Filho

As ciências sociais hegemônicas foram confrontadas por duas perspectivas críticas nas últimas décadas: a crítica pós-colonial e a crítica decolonial. Além de diferenças teóricas, ambas se distinguem quanto à localidade de suas reflexões e à extensão de seus quadros cronológicos. Contudo, é possível estabelecer um frutífero diálogo entre as duas tradições de pensamento, como faz a socióloga Gurminder Bhambra, em seu artigo Postcolonial and decolonial dialogues, 2014 Continuar lendo Perspectivas críticas em diálogo

Como tornar a produção científica um terreno árido

Por Edmar M. Braga Filho

Fazer ciência em determinados contextos é extremamente desafiador, sobretudo levando-se em conta as comunidades científicas imersas em impasses de ordem geopolítica. É o caso das ciências sociais empreendidas no Irã, conforme nos mostra a socióloga Ladan Rahbari, em seu artigo Peripheral position in social theory. Limitations of social research and dissertation writing in Iran. (2015) A pesquisadora elenca vários fatores que tornam a produção científica iraniana periférica. Continuar lendo Como tornar a produção científica um terreno árido

Fast-food? Não, obrigado.

Por Edmar M. Braga Filho

O conhecimento científico, em sua forma acabada e material, é publicação (seja ela papel ou virtual). Como tal, é consumida sobretudo por pesquisadores, em escala regional, nacional ou global. Espera-se, dessa forma, que a ciência progrida, já que o produto do trabalho científico é compartilhado – dados analisados, teorias corroboradas, questionadas ou descartadas. Contudo, em termos de circulação e consumo, há conhecimento científico mais relevante do que outro, se levarmos em conta o contexto geopolítico em que é produzido? Essa questão pode ser vista basicamente de duas maneiras: uma constatação que seja fruto de pesquisa prévia, logo desmistificadora e crítica; ou de forma ideológica, em que há a defesa de uma suposta universalidade, escondendo interesses particulares. Continuar lendo Fast-food? Não, obrigado.

Ciências, no plural

Por Edmar M. Braga Filho

A ciência, enquanto atividade social, deve ser vista de forma singular ou plural? Será ela homogênea em sua produção, circulação, consumo e finalidade? Para Terry Shinn, pesquisador da Maison des Sciences de l’Homme, Paris, a ciência é uma atividade plural, que comporta modos de produção e difusão heterogêneos, os quais o autor denomina regimes de produção e difusão de ciência. Continuar lendo Ciências, no plural

A crítica da crítica: será o pós-colonialismo suficiente?

Por Edmar M. Braga Filho

O pós-colonialismo pode ser sinteticamente definido como uma matriz teórica crítica heterogênea que atenta para as relações entre produção do conhecimento e dominação política. Essa corrente teórica faz uma crítica epistemológica contundente às categorias ocidentais, revelando suas imbricações com o colonialismo europeu empreendido na Ásia e na África. Contudo, em que medida a crítica pós-colonial é suficiente para o contexto latino-americano, tendo como referência nossas especificidades sociais e históricas? Continuar lendo A crítica da crítica: será o pós-colonialismo suficiente?

Reflexões de uma mente insubordinável

Por Edmar M. Braga Filho

Falar de imperialismo pode causar certo desconforto para alguns. Por um lado, é visto com ceticismo e pouca seriedade por mentes mais conservadoras; por outro, é demasiadamente proferido por uma certa política high school. Todavia, há aqueles que levam o tema a sério, considerando-o um significativo elemento de compreensão e descrição do mundo, inclusive o mundo intelectual. Mas como isso se dá? Hussein Alatas, influente pensador indonésio, oferece uma análise crítica do estado da arte das ciências sociais empreendidas na Ásia e na África, sugerindo a existência de um “imperialismo intelectual”. Continuar lendo Reflexões de uma mente insubordinável