Arquivo da tag: Cultura

Discutindo o sexo dos anjos: um olhar sobre a intersexualidade

Por: Mayara Farage.

Vivemos numa sociedade que divide e classifica os indivíduos de maneira binária: homens/mulheres. Porém esta divisão, que foi criada, encontra-se frente ao desafio de categorizar um terceiro grupo: os indivíduos intersex. Bebês que nasceram sem genitais definidos, que não se apresentam com genitais tanto do masculino quanto do feminino. Eles representam, diante desta divisão feminino/masculino, uma terceira possibilidade: a de indivíduos que não podem ser classificados pela limitada separação dicotômica que a nossa sociedade faz. E é sobre estes que Paula Sandrine Machado fala no seu artigo: “ O sexo dos anjos: um olhar sobre a anatomia e a produção do sexo (como se fosse) natural. “

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Literatura Pós-Colonial: Minha Pátria é Minha Língua?

Por Mayara Abrahão,

Quando falamos em teoria pós-colonial, geralmente, falamos também em multi ou pluri culturalismo, hibridismo e resistência. Porque, para descolonizar o pensamento e a cultura de cada país que já foi colônia, é preciso resistir ao passado: resistir às facilidades contraditórias de permanecer em estado colonial mesmo após a independência. Para tanto, é preciso resgatar o passado pré-colonial, as tradições e culturas nativas, sem necessariamente excluir aquilo que se tornou tão “nosso” quanto do “outro”, o que, a partir do processo de dominação, se introjetou na cultura do dominado, como o idioma, por exemplo.

Reivindicar a língua colonial como nossa própria língua é uma forma de ressignificar o passado. A literatura dos países africanos de língua portuguesa demonstra esse processo pós-colonial. No texto A Literatura dos PALOP e a Teoria Pós-Colonial (1999), o professor Russell G. Hamilton, do Departamento de Português e Espanhol da Universidade de Vanderbilt, discute a importância dessa literatura para a teoria e a prática pós-coloniais em Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe.

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A Persistência da Colonialidade na Academia – parte 1

Por Mayara Abrahão,

Aimé Césaire (1913-2008) foi um intelectual nascido na Martinica, colônia francesa na América Central, muito representativo no movimento da negritude na literatura francófona, bem como em relação ao pensamento pós-colonial e de-colonial.

Sua ação política e cultural inclui em 1935 a revista literária L’Étudiant Noir, em Paris e, em 1941, de volta à Martinica, a criação da revista literária Tropiques, fundada em parceria com Suzanne Roussi – com quem era casado – e outros intelectuais martiniquenhos, com o intuito de produzir e reforçar uma identidade própria, livre do eurocentrismo colonial.

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