Arquivo da tag: Colonialidade

O racismo como herança colonial

Por Mayara Abrahão,

A professora do Departamento de Antropologia da Universidade de Brasília (UnB), Rita Laura Segato, escreve sobre raça, gênero e outros temas, sob a ótica do pós-colonialismo. Em seu mais recente livro, La Crítica de la Colonialidad em Ocho Ensayos (2015), Rita relaciona o colonialismo a discussões atuais das Ciências Sociais e, em especial, o próprio fazer antropológico, questionando os resquícios coloniais do saber acadêmico. No capítulo aqui debatido, El Color de La Carcel em América Latina. Apuntes Sobre La Colonialidad de La Justicia em um Continente em Desconstrucción, a autora traz a discussão do racismo estrutural presente na América Latina enquanto traço da colonialidade.

Em sua exposição, Segato apresenta a categoria raça como construto do colonialismo. Assim como Quijano, ela compreende que, antes da colonização da América no século XVI, a raça não existia. E a partir da invenção da raça e de sua função, a segregação social (racismo), Rita Segato descreve as dinâmicas modernas, como o Estado nacional e o Direito, enquanto reflexos de um pensamento colonial racista. A “cor do cárcere” a que Segato se refere, então, é o símbolo da continuidade do colonialismo.

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A crítica da crítica: será o pós-colonialismo suficiente?

Por Edmar M. Braga Filho

O pós-colonialismo pode ser sinteticamente definido como uma matriz teórica crítica heterogênea que atenta para as relações entre produção do conhecimento e dominação política. Essa corrente teórica faz uma crítica epistemológica contundente às categorias ocidentais, revelando suas imbricações com o colonialismo europeu empreendido na Ásia e na África. Contudo, em que medida a crítica pós-colonial é suficiente para o contexto latino-americano, tendo como referência nossas especificidades sociais e históricas? Continuar lendo A crítica da crítica: será o pós-colonialismo suficiente?

Renovando a imaginação sociológica: por uma sociologia não exemplar

Por Edmar M. Braga Filho

Por trás de muitas análises sociológicas temos pressupostas as noções de modernidade, Estado, secularização, racionalização, entre muitas outras, norteando a forma como percebemos e interpretamos o cotidiano de nossa sociedade. Mas seria possível trocar as lentes de análise e estudar a realidade social de uma outra forma, que não se identifique com as noções anteriormente citadas? Para Marcelo C. Rosa é possível, por meio de uma sociologia que ele denomina de não exemplar, em seu texto Rumo a uma sociologia não exemplar: modernidade, decolonialidade e lutas por terra na África do Sul e Brasil.
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Restabelecendo as conexões: globalização, universalismo e o rejuvenescimento da sociologia

Por Edmar M. Braga Filho

A ciência pode ser caracterizada pelo seu universalismo e sua recusa a argumentos de autoridade, utilizando-se de critérios objetivos de análise. No caso da sociologia, tais caracterizações se tornam profundamente problemáticas. Como tornar universal um corpo de conhecimento que, em sua constituição, vincula-se à modernidade europeia, procurando compreender e explicar as transformações daquela sociedade? Como falar em parâmetros impessoais e objetivos se há uma divisão global do trabalho acadêmico (ALATAS, 2003), que reproduz assimetrias e desigualdades na produção e circulação do conhecimento? Alguns autores fornecem possíveis soluções para essas questões. Continuar lendo Restabelecendo as conexões: globalização, universalismo e o rejuvenescimento da sociologia

Por uma ruptura epistemológica nas ciências sociais

Por Edmar M. Braga Filho

A matriz prática que dá origem ao surgimento das ciências sociais é a necessidade de ‘ajustar’ a vida dos homens ao sistema de produção”. Em seu artigo Ciências Sociais, violência epistêmica e o problema da “invenção do outro”, encontrado no livro organizado por Edgardo Lander, A colonialidade do saber : Eurocentrismo e ciências sociais. Perspectivas latino-americanas, o filósofo colombiano Santiago Castro-Gómez relaciona o projeto de modernidade instituído na Europa a partir do século XVI ao colonialismo e ao surgimento das ciências sociais. Para o autor, a epistemologia deste ramo do saber está intrinsecamente ligada a processos excludentes e legitimadores de dispositivos disciplinares. Continuar lendo Por uma ruptura epistemológica nas ciências sociais

Voz, agência e representação – Spivak e os sujeitos subalternos

Por Edmar M. Braga Filho

Ler Spivak não é tarefa fácil. Sua linguagem complexa e seu agudo senso crítico exigem do leitor mais atenção do que de costume. Em seu artigo Pode o Subalterno Falar?, a autora mobiliza pensadores de diversas áreas do conhecimento para refletir sobre duas questões: a agência dos assim chamados sujeitos subalternos, e o papel do intelectual ao tentar representá-los. Continuar lendo Voz, agência e representação – Spivak e os sujeitos subalternos

A geopolítica do conhecimento e a América Latina

Por Joanna Cassiano

          A geopolítica do saber e do poder fragmenta o mundo entre países que consomem conhecimento e países que o produzem, dominando econômica e culturalmente o processo de globalização. Em seu artigo “Geopolítica del saber: biografias recientes de las universidades latinoamericanas”, a pesquisadora Marcela Mollis, professora de Educação da Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade de Buenos Aires, traça uma análise geral sobre a educação superior na América Latina dentro do contexto de territorialidade do conhecimento. O texto original, publicado em espanhol, integra o livro “Universidad e investigación científica: convergencias y tensiones”. Continuar lendo A geopolítica do conhecimento e a América Latina