Arquivo da tag: América Latina

Hebe Vessuri: Uma vida devotada às Ciências Sociais Latino-Americanas

Por: Daniel Máximo

Anualmente, a Society for Social Studies of Science (SSS) concede o Bernal Prize a um estudioso cujas contribuições para esse campo de estudo foram notáveis. Esta é uma premiação de grande relevância, pois muitos de seus vencedores foram pesquisadores e pesquisadoras que devotaram suas vidas e estudos ao que a agremiação compreende como “o entendimento das dimensões sociais da ciência e da tecnologia”.  Entre os vencedores mais conhecidos estão figuras de grande influência na construção dos paradigmas norteadores do conhecimento científico contemporâneo, tais como o físico americano Thomas Kuhn e os sociólogos John Law e Bruno Latour, principais formuladores da chamada teoria ator-rede.

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HUMANOS DAS HUMANAS: ARCADIO DÍAZ-QUIÑONES

Colaboração de Andre Bittencourt (PPGSA/IFCS),
Introdução e tradução de Vinícius Volcof Antunes,

Humanas das Humanas é a série do Circuito Acadêmico que busca mostrar os bastidores da produção do conhecimento científico, seu lado humano, através de duas ou três perguntas aos nossos entrevistados internacionais. Na primeira edição, conversamos com o sociólogo Michael Burawoy da Universidade da Califórnia (Berkeley), discutindo os prós e contras do fazer sociológico.

Nesta nova edição, conversamos com o professor Arcadio Díaz-Quiñones da Universidade de Princeton. Natural de Porto Rico, ele coordena o Programa de Estudos Latino-americanos (PLAS) e ocupa a cátedra emérita de espanhol naquela universidade. Recentemente publicou no Brasil o livro “A Memória Rota: Ensaios de Cultura e Política” (Companhia das Letras). Na véspera de vir ao país, ele respondeu a três perguntas do C/A:

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As diferenças como alternativa

Por Mayara Abrahão,

O que é universal e o que é particular? Segundo o teórico político Ernesto Laclau (2012), o universal é um particular tornado hegemônico. Assim, todas as identidades são particulares, ou seja, todas as culturas possuem formas particulares e próprias. O universalismo é uma maneira de dominação, porque classifica as diferenças como desvios. No mesmo sentindo, ao tratar da “invenção” da América Latina, o intelectual argentino Walter Mignolo (2008) demonstra o estabelecimento da diferença racial, a partir de um ideal universal de humanidade baseado no homem branco europeu, como principal forma de dominação e apagamento de identidades.

A discussão sobre universal e particular se apresenta de forma complexa, visto que as relações contemporâneas estão baseadas na diferença. O desenvolvimento do chamado Ocidente se deve a essa divisão, portanto, pares como universal/ particular ou moderno/ colonial possuem uma relação de interdependência, onde um não pode existir sem o outro. A proposta de Mignolo é a de que se criem pensamentos resistentes (“fronteiriços”), contra-hegemônicos que, em vez de negar a modernidade, evidencie-se o “outro lado”. Continuar lendo As diferenças como alternativa

A PERSISTÊNCIA DA COLONIALIDADE NA ACADEMIA – PARTE 2

Por Mayara Abrahão,

A Europa se tornou o centro do mundo graças à exploração das Américas, pelos espanhóis e portugueses, a partir do século XVI. Com isso, criou-se um novo modelo econômico e uma nova hegemonia cultural. É a partir dos valores coloniais que se constrói a Europa enquanto ideologia – pretensamente una e superior ao “resto” do mundo. O ideal de progresso transformou o não-europeu em sinônimo de atraso, a ser superado com a “ajuda” dos colonizadores (como discutido na primeira parte do texto).

Segundo o sociólogo peruano Aníbal Quijano, os europeus se julgaram inventores da modernidade, mas na verdade, o que se pode atribuir ao colonialismo europeu é a invenção da globalização (“sistema-mundo”) e não avanços tecnológicos, como se vem afirmando: Com todas as suas respectivas particularidades e diferenças, todas as chamadas altas culturas (China, Índia, Egito, Grécia, Maia-Asteca, Tauantinsuio) anteriores ao atual sistema-mundo, mostram inequivocamente os sinais dessa modernidade, incluído o racional científico, a secularização do pensamento, etc. (Quijano, 2005:112). Continuar lendo A PERSISTÊNCIA DA COLONIALIDADE NA ACADEMIA – PARTE 2

História da Sociologia no Brasil – 1ª parte.

Por Leonel Salgueiro,

Como surgiu e quais foram os principais desafios que a sociologia brasileira encontrou até a atualidade? O sociólogo Enno Liedke Filho responde em seu artigo “A Sociologia no Brasil: história, teorias e desafios”. O autor centra o artigo na história da sociologia brasileira dando ênfase às etapas e ao período de sua institucionalização e evolução como disciplina acadêmica. Na segunda parte do texto, discutirei a situação atual da sociologia e os novos dilemas e propostas, ambos discutidos pelo autor.

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O CLAPCS e o Diálogo entre os Aparentados de Família Ibérica.

Por Leonel Salgueiro,

Você já ouviu falar do Centro Latino Americano de Pesquisa em Ciências Sociais? Talvez você o reconheça pela sigla CLAPCS, mas vale ressaltar qual foi a importância desta organização para a construção de um diálogo entre países latino americanos. No artigo “El Centro de la Periferia: Internacionalización de las Ciencias Sociales y Redes Académicas Latinoamericanas.” o antropólogo argentino Ezequiel Grisendi analisa o processo de institucionalização das ciências sociais na América Latina a partir do CLAPCS, sua importância internacional e as críticas que surgem contra a teoria do desenvolvimento neste cenário periférico.

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Marxismos e autonomia sociológica na América Latina

Por Raphael Lebigre,

É inegável afirmar que no mundo contemporâneo, o capitalismo foi primeiro compreendido em sua complexidade, nas áreas da economia, história e das ciências sociais, por Karl Marx e Friedrich Engels, no século XIX.

Ao citar os autores latino-americanos: Carlos Mariategui, Caio Prado Jr e Florestan Fernandes, proponho que o marxismo teve a importância histórica de contribuir para a readequação epistemológica das ciências sociais do continente. Para tanto, limito-me à geração do final do século XIX e início do XX, que abrange o inicio do desenvolvimento dos Estados Nação na América Latina e algumas experiências de governos nacionalistas no continente.

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