Universalizando o local ou localizando o universal

Por Miguel Mendes

Quantos autores do Sul Global você leu esse ano? Quantas referências teóricas não-ocidentais você possui? Quantas teorias brasileiras você estudou recentemente? Com base no artigo “Social sciences internationally: The problem of marginalisation and its consequences for the discipline of sociology“, da socióloga alemã Wiebke Keim, tentarei explicar estas e outras questões relativas ao modo como o conhecimento sociológico circula internacionalmente.

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Contra o gênio individual

Por Edmar M. Braga Filho

 

Frequentemente associada à imagem de uma pessoa solitária e introspectiva, a atividade intelectual evoca a crença de que a criatividade é exclusiva e singular. Ainda que poética, ela ofusca alguns aspectos que devem ser abordados. Como a figura do artista perturbado ou hipersensível, essa representação superestima o gênio individual, invisibilizando o caráter coletivo da produção do conhecimento. Além disso, ignora a complexidade da rede que está presente no cotidiano do afazer acadêmico. E é sobre isso que esse texto irá refletir. Continuar lendo Contra o gênio individual

Literatura Pós-Colonial: Minha Pátria é Minha Língua?

Por Mayara Abrahão,

Quando falamos em teoria pós-colonial, geralmente, falamos também em multi ou pluri culturalismo, hibridismo e resistência. Porque, para descolonizar o pensamento e a cultura de cada país que já foi colônia, é preciso resistir ao passado: resistir às facilidades contraditórias de permanecer em estado colonial mesmo após a independência. Para tanto, é preciso resgatar o passado pré-colonial, as tradições e culturas nativas, sem necessariamente excluir aquilo que se tornou tão “nosso” quanto do “outro”, o que, a partir do processo de dominação, se introjetou na cultura do dominado, como o idioma, por exemplo.

Reivindicar a língua colonial como nossa própria língua é uma forma de ressignificar o passado. A literatura dos países africanos de língua portuguesa demonstra esse processo pós-colonial. No texto A Literatura dos PALOP e a Teoria Pós-Colonial (1999), o professor Russell G. Hamilton, do Departamento de Português e Espanhol da Universidade de Vanderbilt, discute a importância dessa literatura para a teoria e a prática pós-coloniais em Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe.

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Dependência Acadêmica e Universalização do Conhecimento nas Ciências Sociais

Por: Daniel Máximo

De que maneira(s) a origem geográfica influencia as atividades acadêmicas? Que lugar ocupam as universidades e centros de pesquisa latinos no cenário acadêmico global? Quais os critérios utilizados para selecionar as referências que os estudantes de graduação em Ciências Sociais estudam? Com o intuito de explorar essas questões, abaixo estabelecerei um diálogo entre os artigos “El Karma de Vivir al Sur: Interlocuciones y Dependencia académica en las Ciencias Sociales de América Latina”, da socióloga argentina Eloísa Martín, e “Concept Misformation in Comparative Politics”, do cientista político italiano Giovanni Sartori.

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Deixando a Torre de Marfim

Por Miguel Mendes

O conhecimento produzido na academia deve conversar com o resto da sociedade? Que tipo de valores são reproduzidos quando acadêmicos se relacionam com o público? Como acadêmicos operacionalizam este relacionamento?  Essas são algumas das questões que a socióloga Jana Bacevic explora em seu artigo “Beyond Third Mission: Towards an actor-based account of universities’ relationships with the society”.

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Uma analise sobre o relatório “Gênero na Paisagem Global de Pesquisa”

Por Mayara Farage.

No último 08 de março, dia bastante significativo para mulheres do mundo todo foi lançado pela Elsevier o relatório “Gender in the Global Research Landscape” (em tradução livre: Gênero na Paisagem Global de Pesquisa). O documento é um seguimento do trabalho inovador já desenvolvido por eles e lançado em 2015 sob o título   “Mapeando o gênero na Arena de Pesquisa Alemã”.

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Análises do Relatório Mundial de Ciências Sociais 2016 (UNESCO)

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Por Aurea Thatyanne Ferreira

No final de 2016 foi lançada a terceira edição do Relatório Mundial de Ciências Sociais, fruto da parceria entre a UNESCO, o Conselho Internacional de Ciências Sociais (ISSC) e o Instituto de Estudos de Desenvolvimento (IDS). O documento, que tem publicação trienal e originalmente em inglês, teve como enfoque nesta edição o tema das “desigualdades”. No início de março foi lançado seu resumo oficial em português.

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Olhares das Ciências Sociais sobre a produção do conhecimento