Arquivo da categoria: Artigos e Ensaios

A angústia acadêmica

Por Edmar M. Braga Filho

 

“— E como andam os estudos?

— Ah, puxado. Estou com pouco tempo livre agora.

— Não se esqueça de que isso foi uma escolha sua”. Continuar lendo A angústia acadêmica

A EMERGÊNCIA DE OUTRAS NARRATIVAS: VARIAÇÕES DA SOCIOLOGIA NA MODERNIDADE

Por Camillo Alvarenga,

Sob a forma de um relatório, proposto pela Fundação Calouste Gulbenkian, no contexto do projeto “Portugal 2000”, uma comissão formada por cientistas da África, Estados Unidos, Alemanha, Japão, França e Bélgica começa a pensar a trajetória das Ciências Sociais sob a hegemonia do Ocidente. Observa-se o reconhecimento do papel da Sociologia e demais humanidades a partir dos anos 60 como abertura a uma “ciência do complexo” em um diálogo cultural, enquanto no início dos anos 90, a expansão da universidade em suas formas de estrutura e organização social permitiu um processo de redefinição disciplinar, é o que nos diz, Immanuel Wallerstein, que assina como organizador da obra, Para abrir as Ciências Sociais, publicado pela Editora Cortez, aqui no Brasil. Ao considerar interpretações sobre os rumos da sociologia na modernidade, este ensaio quer demonstrar como a obra aborda e discuti os limites das fronteiras nas transformações da razão sociológica e da imaginação conceitual e teórica. É assim, a leitura deste estudo interdisciplinar e complexo serve para pensar e refletir os processos em que se envolvem as Ciências Sociais no decurso da modernidade.

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A sina sociológica

Por Edmar M. Braga Filho

A sociologia é frequentemente associada a um papel de desmistificação da sociedade. É no clássico livro Perspectivas Sociológicas, de Peter Berger, que essa vocação é brilhantemente provocada no leitor. Por meio de sua leitura, somos instigados a enxergar a realidade imersa em relações sociais. Uma radicalização dessa perspectiva possibilita à própria sociologia analisar-se reflexivamente. Ciência em constante mutação, dada a especificidade de seu objeto, a sociologia encontra sempre novos desafios epistemológicos, teóricos e empíricos que a atormentam. Eis a sina sociológica. Continuar lendo A sina sociológica

Onde se situa o tatame das ciências sociais?

Por Raphael Lebigre

Como funciona o campo das ciências sociais? O que os cientistas sociais mobilizam para disputar a hegemonia do que produzem? Até que ponto eles são autônomos diante das relações sociais em que se inserem?

No livro “Homo Academicus”, segundo Pierre Bourdieu (1984,p.106), faixa preta no combate sociológico, o campo das ciências humanas funciona pela concorrência entre os agentes do capital acadêmico (filiação institucional); e do científico, composto pelo capital do prestígio científico (pertencimento, por exemplo, ao comitê de redação de alguma revista) e pelo capital do poder político e econômico. 

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Utopia e Imaginação Sociológica

Por Raphael Lebigre

Em 2011 ocorreu o G8 em Deauville, na França. Como em cada ano, o conselho das potências que estão na vanguarda do capitalismo se reuniu para discutir e traçar entre si as diretrizes de cooperação política, econômica e cultural. Nos dias do encontro, foi surpreendente como as redes televisivas europeias enfatizaram o discurso do presidente dos EUA, Barack Obama, segundo o qual “o Ocidente deveria se sobrepor novamente ao mundo”.

Naquele momento, ficou clara a insegurança da Europa/EUA em manter suas posições de hegemonia diante de um tabuleiro global profundamente reformulado. E esta demarcação geopolítica se estende, claro, à esfera das ciências sociais.

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A antropologia frente a um novo mundo

Por Edmar M. Braga Filho

A produção do conhecimento científico não é imune às relações de poder de ordem histórica e sociológica. Isso se mostra verdadeiro na medida em que exploramos a constituição das disciplinas, intrinsecamente ligada com processos geopolíticos como o colonialismo e o nacionalismo. Contudo, essa relação entre saber e poder não é restrito ao passado. A produção global do conhecimento ainda se vê imersa em estruturas que privilegiam determinados contextos, em detrimento de outros. É o caso da antropologia, como nos mostra o antropólogo Gustavo Lins Ribeiro, em seu livro Outras Globalizações: cosmospolíticas pós-imperialistas. Continuar lendo A antropologia frente a um novo mundo

Entre o engajamento político e a vocação sociológica, Balandier, cientista social da emancipação africana.

Por Raphael Lebigre

Georges Balandier, hoje um dos maiores cientistas sociais vivos da atualidade, foi atuante na luta pela emancipação dos países africanos e abriu os horizontes teóricos de uma disciplina sociológica africanista. Diante de todas as contribuições do etnólogo, hoje irei apresentar sumariamente algumas de suas concepções sobre as relações coloniais de dominação da França com a África, durante 1950-60; assim como abordar as realizações que fizeram do antropólogo uma figura central na divulgação das ciências sociais da África francofônica.

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