Arquivo da categoria: Artigos e Ensaios

Antonio Candido, sociólogo brasileiro

Por Vinícius Volcof Antunes,

Morreu no último dia 12 de maio, em São Paulo, o sociólogo Antonio Candido de Mello e Souza (1918-2017). Expoente de uma geração diretamente responsável pela institucionalização das ciências sociais no Brasil, sua morte repercutiu na imprensa nacional como poucas vezes visto com um dos nossos. Assim, somando-se a outros textos em que discutimos especificamente um(a) autor(a), esse texto se dispõe a prestar-lhe um tributo, ao mesmo tempo que oferece um breve sobrevoo sobre sua densa produção intelectual.

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Hebe Vessuri: Uma vida devotada às Ciências Sociais Latino-Americanas

Por: Daniel Máximo

Anualmente, a Society for Social Studies of Science (SSS) concede o Bernal Prize a um estudioso cujas contribuições para esse campo de estudo foram notáveis. Esta é uma premiação de grande relevância, pois muitos de seus vencedores foram pesquisadores e pesquisadoras que devotaram suas vidas e estudos ao que a agremiação compreende como “o entendimento das dimensões sociais da ciência e da tecnologia”.  Entre os vencedores mais conhecidos estão figuras de grande influência na construção dos paradigmas norteadores do conhecimento científico contemporâneo, tais como o físico americano Thomas Kuhn e os sociólogos John Law e Bruno Latour, principais formuladores da chamada teoria ator-rede.

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“Não fale em crise, trabalhe” – Acumulando funções em tempos difíceis

Por Vinícius Volcof Antunes

Como muitos devem lembrar, a esdrúxula frase acima foi proferida pelo Presidente da República, Michel Temer, em seu primeiro pronunciamento oficial[1], na aparente tentativa de acalmar os brasileiros diante da crise econômica que ameaçava a empregabilidade no país. Quase um ano depois, apesar da reversão de certos índices econômicos, a taxa de desemprego alcança 13,7%, ou cerca de 14,2 milhões de pessoas (IBGE, 2017[2]). Dentro do escopo da produção científica nacional, três movimentos podem ser associados a esse cenário de inseguranças: dificuldades financeiras ou falência de instituições públicas de ensino e pesquisa, como a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ); cortes de financiamento nos órgãos de fomento, como no CNPq [3]e o atraso cumulativo das bolsas da Farperj[4]; e a contingente articulação dos profissionais em protestos e paralisações, como na recente Marcha pela Ciência[5], ocorrida em contexto global.

Nesse texto sugiro como a recessão econômica que atinge diretamente o emprego e a produção nacionais também expõe um duplo caráter das ciências sociais e de seus agentes, que teriam que cumprir a demanda de “explicar” ou “dar respostas” a fenômenos complexos de um mundo em rebuliço, ao mesmo tempo que eles mesmos vivenciam os efeitos dessa instabilidade. Assim, subvertendo a epígrafe presidencial, a ciência social seria aquela que trabalha falando de crise, tendo indissociável uma da outra.

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Contra o gênio individual

Por Edmar M. Braga Filho

 

Frequentemente associada à imagem de uma pessoa solitária e introspectiva, a atividade intelectual evoca a crença de que a criatividade é exclusiva e singular. Ainda que poética, ela ofusca alguns aspectos que devem ser abordados. Como a figura do artista perturbado ou hipersensível, essa representação superestima o gênio individual, invisibilizando o caráter coletivo da produção do conhecimento. Além disso, ignora a complexidade da rede que está presente no cotidiano do afazer acadêmico. E é sobre isso que esse texto irá refletir. Continuar lendo Contra o gênio individual

Uma arqueologia da colaboração internacional

Por Vinícius Volcof Antunes,

O seminário do Museu Nacional (PPGAS/UFRJ) apresentou em novembro a mesa Modernismo, pan-africanismo e “novas sensibilidades etnográficas”: a propósito do diálogo entre Franz Boas e Kamba Simango, sobre a pesquisa do antropólogo Lorenzo Macagno (UFPR). Argentino com especializações no Brasil e nos EUA, Macagno apresenta a “história mínima” do missionário moçambicano Kamba Simango (1890-1967) e sua relação com o “pai” da antropologia americana Franz Boas (1858-1927).

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A nova razão da academia

Por Edmar M. Braga Filho

Garantir a autonomia no trabalho científico não é tarefa simples, razão pela qual a carreira acadêmica está constantemente imersa em desafios. Atualmente, a situação ganha dramaticidade, especialmente levando em consideração o contexto econômico e político em que vivemos. Vem da presidente da Associação Internacional de Sociologia, Margaret Abraham, o lembrete de que as ciências sociais, no âmbito global, estão em perigo: cortes nos orçamentos e financiamentos e a redução dos departamentos em universidades constituem algumas das ameaças que rondam o cenário nos dias de hoje. Continuar lendo A nova razão da academia

HUMANOS DAS HUMANAS: ARCADIO DÍAZ-QUIÑONES

Colaboração de Andre Bittencourt (PPGSA/IFCS),
Introdução e tradução de Vinícius Volcof Antunes,

Humanas das Humanas é a série do Circuito Acadêmico que busca mostrar os bastidores da produção do conhecimento científico, seu lado humano, através de duas ou três perguntas aos nossos entrevistados internacionais. Na primeira edição, conversamos com o sociólogo Michael Burawoy da Universidade da Califórnia (Berkeley), discutindo os prós e contras do fazer sociológico.

Nesta nova edição, conversamos com o professor Arcadio Díaz-Quiñones da Universidade de Princeton. Natural de Porto Rico, ele coordena o Programa de Estudos Latino-americanos (PLAS) e ocupa a cátedra emérita de espanhol naquela universidade. Recentemente publicou no Brasil o livro “A Memória Rota: Ensaios de Cultura e Política” (Companhia das Letras). Na véspera de vir ao país, ele respondeu a três perguntas do C/A:

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