Em meio ao caos, aventure-se

Por André Luiz Gomes Soares

Usurpam os sonhos de quem trabalha com a imaginação. Nas andanças pela internet, juro que não me lembro onde, li que o cientista é uma criança que não cresceu. As implicações positivas disso tão simples e verdadeiras que não cabe divagar. Aí vem um governo típico de ficção, com personagens asquerosos para todos os (des)gostos, e ataca dissimuladamente o que alimenta nosso crescimento.  É uma institucionalização do fracasso. Como se todos já pudessem sonhar em ser um cientista.

O retrocesso não é uma opção, e ainda que estejamos atravessando tempos tão sombrios uma relação balanceada entre custos e benefícios pode nos fazer seguir caminhos enriquecedores. Universidade é para ser sinônimo de diversidade, seja de gente, de realidades, mas principalmente de oportunidades. As instituições de nível superior constroem redes de interesse que transcendem o corpo discente e suas intencionalidades. Contudo, algumas dessas redes podem nos atravessar de alguma forma. Apesar de vínculos internacionais entre universidades significarem catalizadores para os intercâmbios – estudantes, professores e técnicos –, nem todas as chances possibilitam que a diversidade que compõem os estudantes seja representada no exterior. Por isso se faz necessário a divulgação de toda e qualquer brecha que nos permita continuar sonhando e nos construindo. Desse modo, mesmo que piorem ainda mais o já falido orçamento universitário, existem oportunidades que merecem ser consideradas.

Como estudante da UFRJ há a possibilidade de fazer mobilidade estudantil, tanto dentro  quanto fora do país, com universidades parceiras. Estaremos, se aprovados, aptos a viver pelo menos um semestre descobrindo outras configurações de espaços universitário. Recomendo um olhar sempre atento às oportunidades no site da DRI (Diretoria de Relações Internacionais). Uma delas é o programa “Escala Estudantil” em que as universidades vinculadas à Asociacíon de Universidades Grupo Montevideo (AUGM) promovem o intercâmbio entre os seus estudantes, e concedem alguns benefícios. Por exemplo, a universidade de origem ajuda nas passagens aéreas e a instituição que o receberá fornecerá comida e moradia, de alguma forma.

Já se vai quase um ano que decolei para Buenos Aires, tudo aconteceu tão rápido que só agora parece que a ficha de que vivi dias incríveis em solo porteño caiu. Nunca pensei que sem aquelas bolsas mirabolantes que a gente ouve falar fosse possível fazer intercâmbio. Mas é. Não haverá luxo (nem um pouco…), mas será divertido. O que fazer, então? Receitas de bolo não convém, no entanto, algumas sugestões devem ser levadas em consideração.

Pra começar, esteja por dentro das possibilidades que seu curso possui dentro das que existem na DRI. Depois, apesar do site ser um pouco confuso, vale a pena vasculhar um pouco e pegar algumas informações básicas, que vão ajudar você a realizar uma ligação ou num e-mail para aprofundar o interesse. O “Escala Estudantil”, via AUGM, abre semestralmente vagas em que todos os estudantes podem concorrer para um semestre na Argentina, Uruguai, Bolívia, Paraguai ou Chile. Nesses países, dependendo do edital, mais de uma instituição abre suas portas. O próximo passo, após iniciar o processo, é buscar diálogos com os professores sobre as universidades que podem unir o útil ao agradável: uma boa qualidade de vida (com pouco dinheiro) e ferramentas acadêmicas que faça você se expandir de alguma forma. Alguns professores estrangeiros, talvez até do país que você irá, são peças fundamentais para mobilizar uma rede de contatos que você não dispõe, o que pode ser fundamental tanto para acomodação quanto para as dicas sobre lazer e sobre a jornada acadêmica. As oportunidades, tanto de vivência quanto acadêmicas, são valiosas para a vida e para o currículo, claro.

Nem tudo são flores, infelizmente. São necessários alguns avisos, que não querem cortar asas, apenas dar a elas os atalhos quando não é possível sustentar-se por muito tempo. É preciso algum dinheiro sim, para questões burocráticas como seguro-saúde, transporte, diversão e visto, em alguns casos. Outra coisa relevante, que me pegou de surpresa já em solo estrangeiro, é que as universidades não são obrigadas a fornecer cursos de idioma. O lado bom é que não é cobrado nenhum nível de espanhol prévio. O seguro-saúde pode parecer caro a princípio, mas se bem pesquisado em algumas agências pode sair a um preço bem acessível. Sem contar que vaquinhas entre amigos e professores são uma verdadeira mão na roda, todos adoram ajudar alguém a ir mais longe.

 Com relação ao visto, algumas universidades exigem o  temporário de estudante para emitir o certificado que estivemos lá e porque o tempo de estadia excede os três meses de turismo. O valor varia muito de país para país, então, é bom informar-se com quem esteve recentemente por onde você deseja aventurar-se. A forma como você recebe o auxílio da universidade que lhe recebe também varia. Ela pode dar uma quantia em dinheiro que julgam necessário para comer e dormir ou fornecer, de fato, moradia e alimentação. O que se ajusta mais a sua realidade financeira – e a sua forma de relacionar-se com o dinheiro – pode pesar na hora de você indicar suas preferências. Pois é, você não escolhe para onde vai, você indica preferências e torce para que a oferta de vagas do edital e os cursos dos alunos aprovados ajustem-se às suas ambições.

Aventure-se na dificuldade. Não esqueça de crescer em cada experiência, mas nunca deixe a curiosidade que você carrega da infância perecer. Que você e outros decolem e que os planos dos que tornam difíceis os tempos para os sonhadores caiam.

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