Análises do Relatório Mundial de Ciências Sociais 2016 (UNESCO)

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Por Aurea Thatyanne Ferreira

No final de 2016 foi lançada a terceira edição do Relatório Mundial de Ciências Sociais, fruto da parceria entre a UNESCO, o Conselho Internacional de Ciências Sociais (ISSC) e o Instituto de Estudos de Desenvolvimento (IDS). O documento, que tem publicação trienal e originalmente em inglês, teve como enfoque nesta edição o tema das “desigualdades”. No início de março foi lançado seu resumo oficial em português.

Reunindo contribuições de cientistas sociais de diversas disciplinas e oriundos de mais de 40 países, o relatório busca compreender qual seria o papel das ciências sociais na identificação e construção de caminhos para a redução das “desigualdades” no cenário mundial atual. Nas edições anteriores, Desde a introdução defende-se o investimento em pesquisas significativas na área das ciências sociais sobre o tema, pois existiriam lacunas de dados sobre as tendências e os impactos de longo prazo da desigualdade nas economias e sociedades.

No relatório distinguem-se sete dimensões da desigualdade e suas formas de interação, sendo elas econômica, política, social, cultural, ambiental, espacial e com base no conhecimento. Chama-se a atenção para o aumento recente nas taxas de desigualdade mundiais, reconhecido inclusive pela Assembleia Geral da ONU de 2015, que acarretou na criação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Inspirado e tomando parte nesse debate sobre a desigualdade em escala global, o relatório traça seus fins. Um deles é tratar as desigualdades sempre no plural, reconhecendo sua ação para além do âmbito econômico. Além disso, há a preocupação em construir uma sólida base de dados sobre o tema em diversos países, principalmente da Ásia e África, onde os dados são mais escassos. Relacionado a isso, há o objetivo de identificação das lacunas de conhecimento sobre o tema e a proposta de uma agenda de pesquisa mundial sobre desigualdades. A análise de consequências e identificação de estratégias para a sua redução também são pontos centrais, assim como a busca de uma abordagem multidisciplinar, com contribuição ampla das ciências sociais, mas também de outras disciplinas, inclusive para além do ambiente acadêmico.

O relatório foi dividido em quatro partes. A primeira apresenta as tendências atuais da desigualdade, depois as suas consequências, seguido das propostas e ideias para a sua redução efetiva. Por fim, há uma rica análise da importância de ação das ciências sociais nessa questão, e o que precisa ser implementado na área de estudos para contribuir à resolução do problema.

É preciso se debruçar mais sobre esse tema, estudar mais suas diversas facetas, compreender como e por que as desigualdades persistem. Mais que isso, o reconhecimento das desigualdades na construção do conhecimento em si é fundamental para tal aprofundamento da questão. As desigualdades na produção e circulação do conhecimento afetam o que é produzido, por quem e onde, assim como quais conhecimentos serão considerados “importantes”. Portanto, os esforços para a compreensão desse fenômeno devem partir de uma base global, e a desigualdade na produção e circulação do conhecimento tem que ser igualmente abordada.

Em suma, o relatório incentiva profundamente a promoção de pesquisas sobre o tema na área das ciências sociais e defende a criação de uma agenda de pesquisas em escala global, com caráter interdisciplinar e metodologias distintas. Resta agora aguardar a repercussão que o documento terá nos centros de debate e pesquisa das ciências sociais ao redor do mundo.


Você pode acessar o resumo oficial em português aqui. Já o relatório oficial completo em inglês você pode conferir aqui.

Imagem de capa: © Icy e Sot. “Colour Rain”, Icy e Sot (Nova York, EUA, 2013).

 

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