Desaprender para seguir

Por Mayara Abrahão,

Em recente artigo, o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos analisa a Europa atual, suas crises e contradições, a partir do passado colonialista daquele continente. Santos propõe, desde o título de seu texto (Para uma Nova Visão da Europa: Aprender com o Sul), a “desaprendizagem/ reaprendizagem”, para que a Europa se veja não mais como grande potência, – que, segundo o autor, deixou de ser desde o fim da Segunda Guerra – mas como lugar de multiculturalismo. Para isso, Santos propõe estratégias adotada por países do Sul Global que, a partir dos paradigmas da modernidade européia, criaram novas formas de democracia, economia e constitucionalismo.

Para ele, a Europa encontra-se em uma situação limite, da qual não consegue sair por estar ainda envolta no que o autor chama de “preconceio colonial”. A partir do colonialismo, cria-se e promove-se o universalismo, que determina como modelo para o mundo os padrões eurocêntricos, assim, ainda hoje, num mundo “pós-europeu”, permanecem no pensamento comum e na cultura o preconceito com tudo o que não seja considerado ocidental e moderno.

A solução para o problema europeu, de acordo com Santos, é compreender o lugar da Europa no século XXI, percebendo que países como China e Índia estão cada vez mais próximos de se tornarem o novo centro do mundo, buscando um “novo olhar” e um novo lugar para a Europa. As divisões e contradições encontradas em todas as sociedades devem ser observadas, as teorias devem ser reinterpretadas e a história, valorizada, num movimento que busque reparar os males do colonialismo.

O autor destaca experiências de países do Sul em diversas áreas, como os direitos humanos, a economia e as práticas democráticas. Para Santos, os modelos europeus, que antes só se aplicavam aos países do centro (Alemanha, França, Inglaterra, etc.), hoje já não servem mais nem para esses países. O que se deve fazer, então, é o que fizeram os países colonizados: reinterpretar e reinventar modelos, unir culturas, valorizar diferenças; ou não haverá possibilidade de manutenção da Europa enquanto agente internacional.

Portanto, Santos defende a necessidade da reinvenção da Europa para si mesma, a partir de uma “epistemologia do Sul”, tomando como exemplo os processos que se deram em reação ao colonialismo, a Europa, antes colonizadora, poderá, desta vez, sobreviver às crises que vive hoje, e que têm raízes no século XVI. Em outras palavras, para o autor, o colonialismo ainda provoca, para europeus e não-europeus, dramas que só poderão ser superados com um esforço que começa pelo pensameno pós-colonial, mas que precisa atingir o Velho Mundo.

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