O dilema da divulgação e internacionalização das pesquisas

Por Raphael Primos

Nos últimos cinquenta anos, há um movimento de intensificação da divulgação da produção científica em escala internacional. Sobre uma perspectiva histórica, Joan E. Sieber, editora-chefe do Journal of Empirical Research on Human Research Ethics, faz uma reflexão acerca do compartilhamento das pesquisas em diferentes áreas e as suas implicações.

Podemos compartilhar nossa pesquisa com estranhos? Eles são nossos concorrentes? Eles podem utilizar o resultado de um árduo trabalho para produzir críticas? Ou, pior, eles podem sequer nos creditar pela autoria do nosso trabalho? Várias dúvidas permeiam este tema quando elaboramos uma reflexão sobre a divulgação de pesquisas no âmbito internacional.

Em sua publicação no SAGE connection, Sieber explica que no campo da macroeconomia, por exemplo, conceitos, em sua totalidade, são formulados a partir de reflexões e dados produzidos por economistas que por consequência produzem efeitos em governos e na sociedade. Em um campo totalmente diferente, como o da meteorologia, houve um avanço e desenvolvimento graças ao compartilhamento internacional da produção científica sobre esta ciência.

Mais do que formulações teóricas, o compartilhamento de ferramentas como telescópios, por exemplo, possibilitaram um crescimento significativo de cooperações em áreas como a astronomia. Todavia, há a problemática de quando a pesquisa produz informações que podem ir de encontro a políticas ou mesmo de interesses nacionais, por exemplo.

Na área da biomedicina, o esforço da cooperação internacional na produção de conhecimento para o combate a doenças como Aids e Ebola em países da África e Sudeste Asiático mostra-se extremamente oportuno. Porém, o questionamento que há é se a eficácia se aplica para todos os campos e, em especial, nas ciências humanas e suas subjetividades e interpretações.

Outra preocupação é a xenofobia dentro da produção científica, já que há uma predominância do pensamento ocidental (América do Norte, Europa) dentro das publicações e mesmo dentro dos sistemas internacionais de financiamento. Sieber cita a opinião de pesquisadores da Universidade de Oxford que são parceiros no Quênia, África do Sul, Índia, Tailândia e Vietnã. De um modo geral, eles veem com bons olhos o compartilhamento de pesquisa médicas em seus países. Porém, esses pesquisadores afirmam que o compartilhamento de dados e pesquisas em suas instituições de origem não é uma prioridade e ainda ressaltam questões como burocracia e otimização dos escassos recursos.

Os dados compõem base da pesquisa empírica em todas as ciências. Para entender e construir sobre o trabalho dos outros, os pesquisadores, muitas vezes, precisam de acesso aos dados produzidos por outros pesquisadores em que o trabalho se baseia. A partilha de dados reforça a norma de abertura na investigação científica. Ela promove a verificação, refutação ou refinamento da pesquisa científica. Com isso, surgem novas pesquisas, novas ideias e perspectivas alternativas sobre um determinado problema científico.

Mais do que isso, as tecnologias atuais de processamento de coleta de dados podem estimular a melhoria da metodologia de medição e coleta de informações. Não obstante, como atores sociais e acadêmicos, é legitimo relativizar o processo em que nos encontramos sobre a produção e compartilhamento e internacionalização de informações.

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