Ciência e Cinema: as múltiplas imagens do cientista

Por Joanna Cassiano

Ao longo dos anos, o cinema vem construindo no imaginário público representações no que diz respeito ao mundo das Ciências. Por exemplo, reforçando a ideia de que “o cientista é um tr. A longa relação entre Ciência e Cinema é o tema do artigo em questão, de autoria da jornalista e bioquímica Lacy Barca, doutora em Educação, Gestão e Difusão em Ciências pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Partindo do pressuposto de que a construção da figura do cientista no imaginário das pessoas passa pela mídia cinematográfica, Barca salienta que, ao longo do século XX, alguns personagens se tornaram emblemáticos nesse processo. Entre eles, cita Dr. Frankenstein (1910), Dr. Jekyll (O Médico e o Monstro, 1974), Dr. Moreau (A Ilha de Dr. Moreau, 1977), Dr. Strangelove (Dr. Fantástico, 1964). Segundo a autora, para a maioria da população, o cientista é pesquisador do sexo masculino, usa jaleco e óculos, trabalha em um laboratório repleto de fórmulas matemáticas e é capaz de colocar a humanidade em risco.

As primeiras representações de cientistas no cinema aparecem por volta de 1902, com o francês Georges Méliès, cuja obra prima é Le Voyage Dans La Lune (Viagem à Lua).  O filme, que se inicia com uma reunião na Academia de Astrônomos da França, retrata cientistas vestidos com trajes de trabalho, muito semelhantes às vestes dos magos e feiticeiros, enfatizando o teor quase mítico atribuído à profissão. A autora recorre ainda ao exemplo do premiado filme Uma Mente Brilhante (2002), onde a história real do matemático norte-americano John Forbes Nash Jr. John, que sofria de esquizofrenia, é retratada de forma a reforçar alguns dos principais estereótipos que estão associados à figura do cientista.

Alguns pesquisadores se dedicaram a estudar a relação entre a ciência e a sétima arte, como o sociólogo inglês Andrew Tudor (Universidade de York). No livro Monsters and mad scientists: a cultural history of the horror movie (Monstros e cientistas malucos: a história cultural dos filmes de terror), o pesquisador afirma que, em quase mil filmes do gênero terror, 169 retratam um cientista como a causa de todos os males. Segundo Tudor, a visão do público sobre a ciência muda radicalmente entre 1930 e 1980, e a população demora para deixar de idealizar e temer os cientistas como espécies de bruxos.

Por outro lado, em uma pesquisa (1994), as estudiosas belgas Kristina Petkova e Pepka Bovadijeva pediram a 290 estudantes do ensino médio, que escrevessem uma redação sobre o tema: “A minha imagem do cientista”. O resultado foi uma representação positiva. Os estudantes escreveram num tom simpático, respeitoso e agradecido. Para eles, o cientista é sábio, nobre, inteligente, objetivo, trabalhador duro, honesto e tem a mente aberta. Por outro lado, no que diz respeito a sua aparência, afirmam que o cientista é um idoso, com barba grisalha e bigode, face enrugada e olhos vivos.

Segundo Barca, a maioria da população forma sua impressão sobre cientistas e sobre ciência a partir do que vê na mídia, seja em novelas, telejornais ou em filmes. Porém, essa representação é um produto comercial, resultado de um processo criativo complexo e nem sempre fiel a realidade em questão. Apesar da educação formal de ciência exercida nas escolas, a mídia ainda se mostra como o principal veículo constitutivo da imagem de uma profissão, para muitos, ainda tão mítica e misteriosa.

O artigo completo encontra-se em:

http://200.144.189.42/ojs/index.php/comeduc/article/view/4916/4730

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