Big data: um novo campo para cientistas sociais.

Por Raphael Primos,

As tecnologias digitais têm ocupado um grande espaço dentro da vida cultural, social, politica e econômica. Tentar compreender, contextualizar e situar narrativas, práticas de produção e análise de dados de rede é um grande desafio para a sociedade e, sobretudo, para os cientistas sociais. No artigo publicado no jornal Political Science and Politics, o professor de Ciências Políticas da Universidade de Stanford, Justin Grimmer, reflete sobre a questão do “Big Data” como um novo campo de pesquisa e possibilidades para os cientistas sociais.

Todos os dias, milhões de pessoas compartilham informações sobre suas vidas no Facebook, opinam no Twitter, fornecem e divulgam dados de geolocalização através de telefones celulares. Publicações online de jornais e revistas eletrônicas recebem comentários de leitores que não mais interagem de maneira passiva sobre a informação recebida. Políticos fazem uso de publicidade online durante campanhas para divulgar opiniões ou pontuar sobre temas que são considerados tendências nas redes.

As mensagens publicadas nas internet ainda podem ser segmentadas por localização, gênero, profissão e interesse do interlocutor. Ao mesmo tempo, agências de comunicação e publicidade fornecem diagnósticos que buscam precisão sobre as opiniões dos usuários acerca de um governo, um acontecimento ou até mesmo o lançamento de um produto. Há um fluxo constante de produção e interpretação de informações.

Nesse sentido, a expressão “big data” categoriza um grande conjunto de dados complexos que podem ser classificados e interpretados. Para decisões de negócios nas empresas, essas informações se tornaram valiosas já que com elas, por exemplo, é possível decifrar padrões de consumo e estimular compras. Já para governos, a análise dessas informações é fundamental para o desenho de estratégias políticas. De uma forma mais corriqueira, políticos e empresas têm recebido relatórios de interpretação de dados que cruzam variações de leis estatísticas, com a inferência causal, inteligência artificial com foco em análise semântica e, até mesmo, movimentação e localização geográfica dos internautas.

É neste sentido que as informações produzidas pelos aparatos tecnológicos são um campo de interesse para as Ciências Sociais, bem como o cientista social se torna fundamental para instituições e empresas dentro do processo de investigações social pela sua capacidade e habilidade de investigação, porém, este “mercado para cientistas” é outro assunto que merece ser debatido com cuidado. Segundo Grimmer, o “big data” sozinho é incapaz de oferecer soluções, teorias e entendimentos mais profundos acerca da sociedade. O autor cita o artigo de Burt Monroe para argumentar que há agora precedentes para a criação de novas teorias que até então seriam impossíveis, dado a falta de equipamentos robustos e metodologias que pudessem processar um volume tão grande de informações.

Grimmer reforça a importância das ciências sociais, até mesmo para dar suporte em campos das ciências naturais onde o “big data” também pode ser extremamente importante para o desenvolvimento de pesquisas e novas descobertas. Ele sugere uma transversalidade multidisciplinar também com conhecimentos específicos e técnicas de estatísticas, que teria o propósito de elaborar resultados mais precisos.

Em suma, por mais que haja aparatos tecnológicos e possibilidade de interpretação de informações ou até mesmo máquinas copiando o nosso processo cognitivo, como no caso das redes neurais do Google, Grimmer reforça que sempre haverá a necessidade de um sociólogo tentando estabelecer critérios metodológicos e produzindo conhecimento acerca dos fenômenos.

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11 opiniões sobre “Big data: um novo campo para cientistas sociais.”

  1. BIG DATA – Database Definição = https://anagauna.wordpress.com/2015/06/20/big-data/

    BIG DATA – SQL (manutenção anual) = https://anagauna.wordpress.com/2015/10/13/big-data-sql-manutencao-anual-2/

    BIG DATA – ANALITYCS = https://anagauna.wordpress.com/2015/10/13/big-data-analitycs-estudo/

    BIG DATA – DATA SCIENCE = https://anagauna.wordpress.com/2015/10/16/big-data-data-sciece/

    Por Ana Mercedes Gauna (estudo feito Junho/2015 até Outubro/2015)

    1. Prezada Ana.
      Agradecemos sua contribuição nos comentários.
      O Circuito Acadêmico é um espaço em que procura refletir sobre as rotinas da produção e circulação do conhecimento na atualidade. A postagem de autoria do Raphael Primos trata-se de uma resenha de um artigo de Justin Grimmer, professor na Stanford, que você poderá ler na íntegra clicando nesse link: http://stanford.edu/~jgrimmer/bd_2.pdf.
      O artigo do Grimmer não afirma, sugere ou dispensa a necessidade de estudar computação para trabalhar com big data. Também não, na resenha do Raphael. Todavia, e como aconteceria com qualquer estatística aplicada ao estudo do social, na opinião do C/A é necessário, sim, de uma perspectiva das ciências sociais para que esses dados tenham poder explicativo.
      Este espaço é um convite para o debate e estamos muito felizes com a leitura e participação de uma pessoa com tanta experiência.
      Acreditamos que o processo de construção do pensamento é um ato coletivo e estaríamos muito felizes de receber sua contribuição. Para tal, convidamos a olhar as orientações para colaboradores clicando no link https://circuitoacademico.com.br/diretrizes/

      1. para trabalhar com BIG DATA, sim tem que ser formado em ciencia da computação e ter concluido o curso, e ter o certificado.

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