Universidade para quem? Acesso e permanência de travestis e transexuais nas instituições de ensino superior.

Por: Joanna Cassiano

No fim deste mês, mais de sete milhões de pessoas nos quatro cantos do país farão o Exame Nacional do Ensino Médio, o ENEM, prova que garante o acesso a programas governamentais de fomento à educação superior e à maioria dos cursos de graduação nas universidades públicas nacionais. Desse total, 278 são travestis e transexuais que exercerão o direito ao uso do nome social no dia do exame. O número, apesar de ainda tímido, representa um crescimento de 172% em relação ao último ano e levanta a necessidade do debate acerca do papel da universidade e das políticas educacionais na busca pela inclusão e pelo respeito à diversidade de gênero.

As problemáticas relacionadas à intolerância diante da diversidade de gênero emanam nas diversas esferas da vida social, passam pelo processo escolar e ecoam nas universidades. No artigo “O “armário” da universidade: o silêncio institucional e a violência” (*) , os pesquisadores Henrique Nardi, Paula Machado, Frederico Machado e Letícia Zenevich afirmam que: “a violência (…) está sistematicamente presente nas formas mais cotidianas da demarcação dos espaços, nos quais é possível ou não falar das sexualidades não heterossexuais. A articulação dessas formas de violência constrói um ambiente heteronormativo e heterossexista que (re)produz e atualiza hierarquias e desigualdades sociais”.

Entidades como a Universidade Federal do Paraná, Universidade Federal de Juiz de Fora, Universidade do Estado do Pará e a Universidade Federal de Santa Catarina são alguns exemplos de instituições que recentemente reconheceram o direito básico ao uso do nome social entre seu corpo docente, discente e administrativo.

Em entrevista ao portal de educação da UOL (**) , a transexual Brune Brandão, mestranda em Psicologia da UFJF, afirma que o reconhecimento é um grande passo na busca pela diminuição das taxas de evasão universitária entre alunxs transgêneros. Para ela: “Na biblioteca, quando você apresentava a identidade, que difere do seu nome social, causava um estranhamento. Essa nova política vai evitar que essas violências simbólicas se perpetuem aqui dentro”.

Na luta pela inclusão e pela diversidade de gênero na esfera universitária, um grupo de voluntários cariocas, oriundos das diferentes áreas do saber, criou recentemente o chamado “Prepara, nem” (***), projeto que consiste em um preparatório gratuito para o ENEM voltado para travestis, transgêneros e outras pessoas em situações de vulnerabilidade social e preconceito de gênero. Exemplos como este mostram que, ainda que árdua, a busca por uma educação e por uma universidade mais plural e democrática diz respeito a todos que acreditam que a revolução começa nas salas de aula.

(*) Disponível em: http://chronos.fafich.ufmg.br/~revistasociedade/index.php/rts/article/view/87/71

(**) http://educacao.uol.com.br/noticias/2015/03/11/uso-de-nome-social-em-universidade-pode-diminuir-evasao-diz-transexual.htm

(***) https://www.facebook.com/PreparaNem?fref=ts

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