O que tem de novo no Novo Movimento Teórico?

Por Leonel Salgueiro,

A micro e macroteoria são igualmente insatisfatórias para a atual sociologia; ação e estrutura precisam ser agora “articuladas”. O sociólogo norte americano Jeffrey C. Alexander discorre no artigo “O Novo Movimento Teórico” sobre uma “nova” e surpreendente mudança no progresso da teoria geral sociológica. Como se originou tal movimento? Quais críticas contribuíram para a sua criação? Qual o impacto do mesmo nos estudos sociológicos? Confira as respostas destas e outras perguntas logo abaixo.

Para começar precisamos entender a que o autor se refere quando afirma uma mudança na teoria geral. Segundo Alexander a teorização num nível geral – sem referência a problemas particulares ou a domínios específicos – constitui um esforço significativo, na verdade crucial, de não permanecer segregada a qualquer domínio teórico abstrato. Muito pelo contrário, permeia sucessivamente todos os subcampos empíricos da sociologia.

Alexander argumenta que entender a teoria geral é compreender a subjetividade que a disciplina carrega consigo. É fato que os argumentos sociológicos não dependem de um resultado explicativo imediato para serem considerados científicos. Segundo ele, aqueles que se opõem a isso identificam a sociologia como uma ciência natural, observacional, proposicional e puramente explicativa. Pois mesmo que as ciências sociais tenham sua própria hermenêutica, no entanto, essa subjetividade não impediu a construção de poderosas leis gerais nem a acumulação de conhecimentos factuais que podem servir de fundamento para uma ciência social pós-positivista.

Para o autor, o caráter geral das ciências sociais e sua distinção das ciências naturais se dá a partir do momento em que o acordo sobre as leis gerais explicativas torna-se improvável. A competição entre perspectivas fundamentais é rotineira nas ciências sociais, os supostos fundamentais são rotineiramente visíveis e contestáveis. Estas formas de abordagens tornam suscetível diferentes análises utilizando-se, ou não, dos mesmos artifícios materiais e por vezes teóricos. Segundo ele, a ciência social é essencialmente contestável, tanto em suas declarações factuais mais específicas, como em suas generalizações mais abstratas. Cada conclusão empírica é aberta à discussão que parta de considerações supra-empíricas, e cada proposição geral pode ser contestada por referência a “fatos empíricos” inexplicados.

Continuando, o caráter discursivo da sociologia pode torna-la, por vezes, uma disciplina que progride num sentido estritamente empírico sem que isso implique em qualquer progresso em termos teóricos. Aceitos por razões que independem de testes empíricos convencionais. O que Alexander diz é que a ciência social se desenvolve dentro de escolas e tradições visto que o conhecimento teórico depende das abordagens dos autores. Em outras palavras, cria-se um conhecimento de pares, uma forma de progredir sem implicar em “mudanças” na sociedade como um todo.

O autor argumenta que a sociologia tem caminhado em um movimento pendular, no que se diz respeito a teoria, a partir da Segunda Guerra Mundial. A divisão entre teorias da ação e teorias estruturais. Esse discurso de ação versus estrutura surgiu, segundo o autor, como reação ao estrutural-funcionalismo de Parsons, que havia tentado acabar de uma vez por todas com as “escolas em conflito”. Mas as tradições teóricas idealistas e estruturalistas estavam profundamente enraizadas no desenvolvimento históricos das ciências sociais.

Na modernidade, quando pensamos sobre a ação, discutimos se ela é racional ou não. Na ciência social moderna, essa dicotomia se aplica às pessoas egoístas (racionais) ou idealistas (não racionais), como normativas e morais (não racionais) ou instrumentais e estratégicas (racionais). Mesmo que por vezes não concordem em aspectos relevantes específicos, em termos da prática teórica, porém, essas orientações formam dois tipos ideais. Em outras palavras, as abordagens racionalistas tratam os atores movidos por forças externas a eles, enquanto que as abordagens não-racionalistas sugerem que a ação é movida de dentro deles.

Outra questão importante é o “problema da ordem”. Alexander argumenta que todo sociólogo é sociólogo porque acredita que a sociedade tem padrões, estruturas de alguma maneira diferentes dos atores que a compõem. Mesmo assim estão em desacordo sobre como essa ordem é produzida (individualistas e coletivistas). Os coletivistas considerando os padrões sociais preexistindo a qualquer ato individual e os individualistas acreditando que esses padrões são o resultado da negação individual.

Na década presente, começa a tomar forma um modo surpreendentemente diferente de discurso teórico. Depois das reviravoltas na disciplina com o efeito pendulo. Essa fase é marcada por um esforço de juntar novamente a teoria sobre a ação e a estrutura. Como conta Alexander, vem sendo feita dentro de cada uma das tradições hoje dominantes, de ambos os lados da divisão micro/macro.

Alexander entende que há razões institucionais e sociais para esse desenvolvimento, sendo alguns dos fatores como: o novo clima político nos EUA e na Europa, a dissolução da maioria dos movimentos sociais radicais, a perda de uma legitimidade moral do próprio marxismo e a utilização da análise cultural por autores estruturalistas nos EUA. Dentro das vertentes sociológicas, influenciados pelo novo movimento, houveram desenvolvimentos surpreendentes no interacionismo simbólico, no modelo de ação racional recolocado pela teoria das trocas de Homans e tantos outros.

O novo movimento teórico tem avançado na sociologia. Segundo Alexander a chave para o seu sucesso é um reconhecimento mais direto da centralidade do significado coletivamente estruturado. Mas é importante ressaltar que este foi um texto escrito há vinte e oito anos atrás. Sendo assim, o papel da teoria geral ainda nos é interessante ou já voltamos a “tiquetaquear” no balançar do pendulo?

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