Por uma Ciência sem muros: precisamos falar sobre comunicação científica.

Por: Joanna Cassiano

Aceleração do trabalho intelectual, radicalização da autoria, potencialidades do trabalho colaborativo, intensificação dos fluxos culturais. Todas essas categorias fazem parte dos horizontes trazidos pelo advento da cultura digital, revestida de uma nova lógica não somente no pensar e fazer cultura, mas também nas formas de produzir e circular o conhecimento científico. No artigo“Divulgação científica independente na Internet como fomentadora de uma cultura científica no Brasil”, Cristiane de Magalhães Porto, Doutora em Cultura e Sociedade pela UFBA, analisa a cultura científica brasileira sob a perspectiva da nova era global de comunicação digital.

O conhecimento científico em conjunto com os novos meios comunicacionais dinamizam as atividades buscando gerar diálogo entre a pesquisa, as instituições de ensino/fomento e o público. Ações de popularização e divulgação da ciência têm sido a tônica de um debate que enfatiza a importância de uma cultura científica sólida no Brasil. Ou seja, para além de divulgar ciência, é preciso fazer com que essa divulgação propicie de fato uma reflexão da sociedade.

Segundo a autora, nos tempos atuais há uma preocupação especial com essas iniciativas de divulgação científica, que passaram a ser vistas pelas instituições de ensino e pesquisa como parte necessária e integrante do processo de produção do conhecimento. As notícias sobre ciências devem estar cada vez mais disponíveis não apenas nos meios científicos, mas para toda sociedade, sob a forma de livros e em outros meios de comunicação de massa. Nesse ponto, a Internet emerge como uma poderosa ferramenta de democratização no acesso ao conhecimento.

Porém, apesar das mudanças, o Brasil ainda enfrenta dificuldades. Segundo afirmação de Ildeu de Castro Moreira, diretor do Departamento de Difusão e Popularização da Ciência no Ministério de Ciência e Tecnologia: “Os museus e centros de ciências brasileiros, embora tenham crescido, têm ainda pequena capacidade de difusão científica e as universidades, apesar de esforços localizados, pouco fazem nesta linha”. Moreira levanta ainda a necessidade de que sejam oferecidos maiores incentivos aos projetos para divulgação científica e aos pesquisadores e jornalistas voltados para ações de popularização da ciência. 

A apropriação do conhecimento científico deve ser um processo ativo e constante, levando-se em consideração que educar para a ciência é também uma forma de promover a cultura científica, com o objetivo de fazer da ciência algo pertinente e ligado à cultura de um povo. Dessa forma, pode-se caminhar na direção de melhorias das condições sociais e culturais da produção do conhecimento e, ainda, promover a inovação tecnológica.

A autora ressalta o papel dos blogs como alternativa para um novo modelo de divulgação científica independente. Definidos como ferramentas de publicação com um formato bem peculiar, tratado como artefato cultural, o blog pode ser uma aproximação entre o texto de divulgação científica e o público em geral, que passa a ter oportunidade de se apropriar das notícias sobre ciência.

Para reforçar o argumento acima, a autora recorre às palavras de André Lemos, um dos pesquisadores pioneiros na temática: “Os blogs têm hoje diversas colorações e se caracterizam como publicações abertas, constituindo redes sociais planetárias, livres e democráticas, dando vozes a quem quiser se expressar. Cria-se, assim, uma verdadeira esfera mundial de conversação. Fora do controle dos meios de comunicação de massa, as novas funções dos blogs colaboram para um enriquecimento da esfera comunicativa e, logo, da política mundial”.

Durante entrevista concedida a Revista ComCiência (2008), o sociólogo italiano Massimiano Bucchi afirmou que um dos desafios da divulgação científica nos próximos anos será a transição de um modelo paternalista de comunicação, baseado na ideia do público como receptor passivo, para modelos de caráter mais democrático. Para ele, a Internet é ferramenta decisiva para o desenvolvimento de modelos de comunicação democráticos, onde o público participe do debate sobre a ciência e seu papel social, com suas opiniões, valores, expectativas e preocupações.

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