Gênero e Trabalho – Brasil e França em Debate.

Por Leonel Salgueiro,

O trabalho das mulheres e sua relação com a esfera pública e privada. Esse foi o tema do Seminário Internacional: Trabalho, Cuidado e Política Social – Brasil e França em debate, que aconteceu entre os dias 26 e 29 de Agosto na Universidade de São Paulo e na Universidade Federal do Rio de Janeiro. O seminário foi realizado em parceria com os departamentos de pós-graduação em Sociologia da USP e UFRJ, a Fundação Carlos Chagas, o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento e com a rede internacional pluridisciplinar Marchédu Travail et Genre (MAGE).

O seminário abordou o tema do trabalho das mulheres em sua relação tanto com a esfera privada, da família, como com a esfera pública, das empresas e corporações, nos espaços tradicionais e nos novos empregos qualificados. Dando continuidade ao diálogo internacional estabelecido no Colóquio realizado em 2007, quando se reuniram pesquisadores brasileiros e da rede MAGE.

Neste segundo evento, retomou-se a discussão sobre as múltiplas desigualdades que interseccionam o mercado de trabalho, sejam elas: gênero, raça, ou classe social. Colocando em debate as configurações por elas assumidas, na França e no Brasil.

O seminário contou com nomes ilustres e já conhecidos por nós. Entre eles, a economista Dra. Lena Lavinas (UFRJ), a socióloga Dra. Alice Abreu (UFRJ), a economista Dra. Hildete Pereira de Melo (UFF), a socióloga Dra. Neuma Aguiar (UFMG), a socióloga Dra. Bila Sorj (UFRJ), entre outros.

A exemplo da apresentação da professora Lena Lavinas que em seu artigo “Assimetrias de gênero no mercado de trabalho e o sistema de proteção social: gargalos brasileiros” nos informou, baseada nos dados da RAIS (Relação Anual de Informações Sociais), que não obstante a fase recente de retomada do crescimento da economia brasileira, favorável inclusive à inserção ocupacional das mulheres, os hiatos salariais entre homens e mulheres agravaram-se. E que isso ocorre notadamente entre grupos com maior nível de escolaridade. Onde, para tal, a autora serviu-se de análises estatísticas descritivas usando como fonte as Pesquisas Nacionais por Amostra de Domicílio, a Pesquisa Mensal de Emprego, a RAIS e o CAGED do Ministério do Trabalho.

O que permite comparar suas conclusões as da professora Alice Abreu em seu artigo colaborativo “Equidade de gênero na sociedade do conhecimento no Brasil: presença feminina na ciência e na tecnologia”. No qual, baseada no quadro de referência Igualdade de Gênero e Sociedade do Conhecimento, discute as políticas e os diferentes fatores que afetam a participação das mulheres no sistema brasileiro de ciência tecnologia e informação. Fatores de junção econômica e social se dialogarmos com as obras das autoras. Lembro aos leitores que ideias complementares foram tratadas em seminário organizado pela APUB/UFBA que você pode conferir clicando aqui.

Fatores estes, penso, ligados a desigualdades em um meio acadêmico ainda masculinizado e recluso se olharmos para diferentes áreas das ciências. Sejam elas exatas ou humanas e em países distintos como é o caso de Brasil e França.

A professora economista francesa Dra. Rachel Silvera, a exemplo, em seu artigo “O salário das mulheres na França no século XXI: sempre um quarto a menos”, argumentou que, ainda hoje, as mulheres ganham um quarto a menos que os homens. Mesmo não faltando leis, obras e estudos estatísticos e ações diversas, como afirma a autora: Não há um só 8 de março – dado o dia das mulheres – sem que a imprensa ou o Estado tratem essas desigualdades de salário. E, ainda sim, a situação não se altera. Sempre um quarto a menos.

Por último, os debates propostos no evento levantavam outras questões relevantes. Outras nomenclaturas a imagem damulher não mais enxergado como um todo homogêneo. Uma professora da UERJ ao debater com as palestrantes nos fez lembrar a luta das mulheres negras em movimentos complementares. Ou a luta das mulheres transexuais que não possuem ainda lugar na academia.

O Seminário não possuí conteúdo online. Por isso, deixo abaixo links e referências para artigos em que a leitura serve para a compreensão do tema proposto no evento.

LAVINAS, Lena . Estratégias Femininas para Conciliar Trabalho Remunerado e Trabalho Doméstico no Século XXI. Revista da ABET (Online), v. X, p. 56-79, 2011. 

SOUZA, M. F. ;NEUBERT, Luiz Flávio ; Neuma Aguiar . Um Estudo da Percepção de Usos do Tempo sob a Perspetiva de Gênero. Sociedade e Cultura, v. 8, p. 53-70, 2005. 

ÁVILA, M. B. M. . As mulheres no mundo do trabalho e a relação corpo sujeito. Cadernos de Crítica Feminista, v. V, p. 48-71, 2011.

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