Por uma universidade plural e sem muros: conhecendo a UFRJ 2014.

Por Joanna Cassiano

Os olhares atentos carregavam um misto de êxtase, insegurança e curiosidade, sentimentos típicos dos que se encontram, apesar da pouca idade, prestes a tomar a decisão de ingressar no nível superior. Esse era o cenário dos corredores da Escola de Educação Física e Desportos da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde nos últimos dias 13 e 14 foi realizado o evento “Conhecendo a UFRJ”.

Os dois dias de evento contaram com a participação de aproximadamente 15 mil estudantes de escolas públicas e privadas. Cada curso de graduação foi representado por um stand, onde os visitantes puderam tirar dúvidas, conversar com alunos da Universidade, receber maiores informações sobre o funcionamento da instituição e das organizações curriculares dos cursos. Além disso, foram oferecidas atividades culturais e mais de 50 palestras com professores de diferentes áreas da UFRJ, que apresentaram seus cursos respondendo perguntas, explicando e detalhando as diferentes opções de pesquisa, atuação e extensão das carreiras.

Em sua décima edição e realizado pela Pró-Reitoria de Extensão, o evento oferece entrada franca e tem como objetivo aproximar da sociedade os centros de pesquisa da UFRJ. A proposta ultrapassa os dois dias de atividades e se desdobra em visitas guiadas às unidades da Universidade, onde é possível que os alunos conheçam salas de aula, laboratórios, acervos e saibam mais sobre as instalações dos cursos. A ideia é desfazer a barreira entre a comunidade e a universidade.

Essa é também uma oportunidade para que o grande público possa conhecer e compreender  o funcionamento e a atuação de carreiras que fogem do tradicional eixo Direito-Medicina-Engenharia. No stand das Ciências Sociais, era nítido o desconhecimento dos visitantes sobre a profissão. Não somente alunos, mas também professores que guiavam suas turmas nos procuravam para entender “o que são as Ciências Sociais?”.

Entre os vestibulandos, a dúvida mais comum era sobre a área de atuação do cientista social. A ideia do longo tempo de formação necessário para a construção da carreira acadêmica, entre graduação, mestrado  e doutorado, levantava um questionamento: “mas eu serei estudante por 10 anos?”. Uma clara ilustração de que a pesquisa científica e a prática acadêmica não são vistas como uma forma legítima de trabalho.

Nos relatos dos alunos que se mostraram inclinados a cursar Ciências Sociais, era comum o desejo de associar a graduação com outra mais “de mercado”. Entre os visitantes que conversamos, as opções de segunda graduação variavam entre Comunicação Social, Relações Internacionais, Direito e Economia. “Só pra ter uma segurança”, segundo uma aluna. A ideia de uma carreira  voltada para a pesquisa e produção científica parece irreal para alunos que estão sendo claramente orientados por suas escolas, famílias e pela sociedade a buscarem uma formação que possua o maior leque possível de atuação prática, de empregabilidade, de técnica, reforçando o preocupante quadro de desvalorização das ciências humanas diante das ciências exatas e naturais.

Anúncios

O que você tem a dizer sobre isso?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s