A Professora Marialva Barbosa defende a centralidade das redes ibero-americanas para a internacionalização dos Estudos de Comunicação

Por Bruna Saldanha

Em entrevista realizada pelo e-mail, a Professora Marialva Barbosa, Professora Titular de Jornalismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Vice-Presidente da INTERCOM,  defende a criação das redes ibero-americanas de colaboração científica como um primeiro passo na internacionalização dos estudos sobre comunicação social brasileiros.    

Professora Marialva, na sua opinião, quais são os maiores desafios da academia brasileira para sua internacionalização?

Promover redes de pesquisas com participação de pesquisadores de vários países, promovendo de fato a cooperação em termos de ensino e pesquisa de forma mais orgânica. Esse é um dos desafios. O outro é tornar reconhecida a nossa produção científica colocando-a no lugar de ponta que de fato ela ocupa em termos do que se produz no mundo. Para isso, primeiro, no caso da comunicação que é de onde falo, devemos organicamente nos organizar em termos das comunidades ibero-americanas, primeiramente, e como força única começar um trabalho de inclusão e reconhecimento nas outras comunidades.  

Quais são as razões que explicariam a menor presença de produção brasileira em publicações internacionais?

Em primeiro lugar, acho que a não existência de redes integradas de pesquisa, com a participação de pesquisadores de diversos países. Em segundo lugar, a língua, que é um entrave ainda para a publicação em periódicos internacionais, em terceiro lugar uma certa recusa ao reconhecimento da produção científica brasileira e de sua liderança na América Latina.

 A senhora tem uma longa experiência em foros na área de comunicação social, tanto no Brasil como no exterior, além de ser vice-presidente da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação. De acordo com essa sua experiência, quais seriam alguns caminhos viáveis, a médio prazo, para fazer com que o diálogo entre academias centrais e periféricas seja mais horizontal e equitativo? 

Acredito que reforçando os laços com os países ibero-americanos e constituindo-nos como força na área de pesquisa. Para isso é preciso instituir, reforçar, implementar, motivar a constituição de redes internacionais de pesquisa. Depois, precisamos tornar conhecidas nossas pesquisas. Para isso, estrategicamente devemos publicar livros em outros idiomas (ou seja, em inglês que é o idioma universal) e participar mais organicamente das associações científicas internacionais de cada área.

Tendo declarado que pretende internacionalizar a Intercom, quais são as políticas que pretende implementar para tanto? 

Acredito que o caminho de uma instituição científica em primeiro lugar é facilitar a reunião de seus pesquisadores em torno de projetos internacionais de pesquisa. Assim, tenho como meta criar o CIPI – Centro Internacional de Pesquisa da Intercom, de forma a promover ações orgânicas no sentido da internacionalização das trabalhos dos pesquisadores brasileiros na área da comunicação. Nesse sentido podemos fazer muitas ações: promover e estimular a constituição de redes internacionais de pesquisa; divulgar a nível internacional as pesquisas realizadas no país; constituir organicamente as pesquisas ibero-americanas de comunicação, sob a liderança do Brasil, entre outras ações.

 

Muito obrigada por participar do Circuito Acadêmico, professora Marialva Barbosa!

Mini-bio – Marialva é professora titular de Jornalismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e professora titular de jornalismo aposentada da Universidade Federal Fluminense (UFF), aonde foi professora de 1979 a 2010. Possui graduação em Comunicação Social pela Universidade Federal Fluminense (1976), mestrado em História pela Universidade Federal Fluminense (1992) e doutorado em História pela Universidade Federal Fluminense (1996). Foi Professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Linguagens da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP), de abril de 2010 a janeiro de 2012. Possui pós-doutorado em comunicação(1999) pelo LAIOS-CNRS, Paris – França. Diretora Científica da INTERCOM de 2009 a 2011, atualmente é Vice-Presidente da INTERCOM. Seu livro História Cultural da Imprensa – Brasil 1900-2000 foi ganhador da Medalha Carlos Eduardo Lins e Silva, outorgada pela Intercom, em 2007 às mais representativas publicações lançadas em 2007. Ganhou o prêmio Luiz Beltrão de Ciências da Comunicação, categoria Maturidade Acadêmica, em 2008, “pelo conjunto da obra constituída por estudos relevantes, nacionalmente reconhecidos na área de Comunicação”. Foi a primeira Cientista do Nosso Estado da área de Comunicação pela FAPERJ. Publicou História da Comunicação no Brasil (Vozes, 2013), História Cultural da Imprensa – 1900-2000 (MAUADX, 2007) e História Cultural da Imprensa – 1800-1900 (MAUADX, 2010). Organizou dezenas de livros e publicou dezenas de capítulos de livros em obras organizadas no Brasil e no exterior. Possui dezenas de artigos em revistas nacionais e internacionais. No momento se dedica a pesquisar os jornais manuscritos brasileiros do século XIX. Dedica-se também às pesquisas que fazem a interconexão entre história e comunicação. Pesquisadora 1D do CNPq.

 

Anúncios

O que você tem a dizer sobre isso?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s