Antonio Candido, sociólogo brasileiro

Por Vinícius Volcof Antunes,

Morreu no último dia 12 de maio, em São Paulo, o sociólogo Antonio Candido de Mello e Souza (1918-2017). Expoente de uma geração diretamente responsável pela institucionalização das ciências sociais no Brasil, sua morte repercutiu na imprensa nacional como poucas vezes visto com um dos nossos. Assim, somando-se a outros textos em que discutimos especificamente um(a) autor(a), esse texto se dispõe a prestar-lhe um tributo, ao mesmo tempo que oferece um breve sobrevoo sobre sua densa produção intelectual.

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Hebe Vessuri: Uma vida devotada às Ciências Sociais Latino-Americanas

Por: Daniel Máximo

Anualmente, a Society for Social Studies of Science (SSS) concede o Bernal Prize a um estudioso cujas contribuições para esse campo de estudo foram notáveis. Esta é uma premiação de grande relevância, pois muitos de seus vencedores foram pesquisadores e pesquisadoras que devotaram suas vidas e estudos ao que a agremiação compreende como “o entendimento das dimensões sociais da ciência e da tecnologia”.  Entre os vencedores mais conhecidos estão figuras de grande influência na construção dos paradigmas norteadores do conhecimento científico contemporâneo, tais como o físico americano Thomas Kuhn e os sociólogos John Law e Bruno Latour, principais formuladores da chamada teoria ator-rede.

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Caminhos que conduzem o conhecimento

Por Miguel Mendes

Não há produção de conhecimento sem circulação. Circulação de ideias, de materiais, de dados, de livros, de pessoas… a lista é muito extensa para esse breve post. Em mais uma postagem no C/A sobre o trabalho da socióloga Wiebke Keim, debaterei como essa circulação se dá no âmbito das ciências sociais; como ideias circulam, sob que eixo, quem as recebe e quem as distribui.

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Discutindo o sexo dos anjos: um olhar sobre a intersexualidade

Por: Mayara Farage.

Vivemos numa sociedade que divide e classifica os indivíduos de maneira binária: homens/mulheres. Porém esta divisão, que foi criada, encontra-se frente ao desafio de categorizar um terceiro grupo: os indivíduos intersex. Bebês que nasceram sem genitais definidos, que não se apresentam com genitais tanto do masculino quanto do feminino. Eles representam, diante desta divisão feminino/masculino, uma terceira possibilidade: a de indivíduos que não podem ser classificados pela limitada separação dicotômica que a nossa sociedade faz. E é sobre estes que Paula Sandrine Machado fala no seu artigo: “ O sexo dos anjos: um olhar sobre a anatomia e a produção do sexo (como se fosse) natural. “

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“Não fale em crise, trabalhe” – Acumulando funções em tempos difíceis

Por Vinícius Volcof Antunes

Como muitos devem lembrar, a esdrúxula frase acima foi proferida pelo Presidente da República, Michel Temer, em seu primeiro pronunciamento oficial[1], na aparente tentativa de acalmar os brasileiros diante da crise econômica que ameaçava a empregabilidade no país. Quase um ano depois, apesar da reversão de certos índices econômicos, a taxa de desemprego alcança 13,7%, ou cerca de 14,2 milhões de pessoas (IBGE, 2017[2]). Dentro do escopo da produção científica nacional, três movimentos podem ser associados a esse cenário de inseguranças: dificuldades financeiras ou falência de instituições públicas de ensino e pesquisa, como a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ); cortes de financiamento nos órgãos de fomento, como no CNPq [3]e o atraso cumulativo das bolsas da Farperj[4]; e a contingente articulação dos profissionais em protestos e paralisações, como na recente Marcha pela Ciência[5], ocorrida em contexto global.

Nesse texto sugiro como a recessão econômica que atinge diretamente o emprego e a produção nacionais também expõe um duplo caráter das ciências sociais e de seus agentes, que teriam que cumprir a demanda de “explicar” ou “dar respostas” a fenômenos complexos de um mundo em rebuliço, ao mesmo tempo que eles mesmos vivenciam os efeitos dessa instabilidade. Assim, subvertendo a epígrafe presidencial, a ciência social seria aquela que trabalha falando de crise, tendo indissociável uma da outra.

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Nas Trincheiras da Dependência: A Relação “Centro-Periferia” nas Ciências Sociais Brasileiras

Por Daniel Máximo

Desde meus primeiros períodos no curso de graduação em Ciências Sociais, quando fui exposto às teorias sociológicas clássicas e contemporâneas, venho me perguntando, talvez de maneira ainda um tanto quanto inocente, por que os autores cujas produções teóricas dentro do campo da Sociologia adquirem um alcance global se encaixam quase todos em um mesmo perfil: Homem, ocidental e proveniente de universidades europeias ou estadunidenses. Continuar lendo Nas Trincheiras da Dependência: A Relação “Centro-Periferia” nas Ciências Sociais Brasileiras

Universalizando o local ou localizando o universal

Por Miguel Mendes

Quantos autores do Sul Global você leu esse ano? Quantas referências teóricas não-ocidentais você possui? Quantas teorias brasileiras você estudou recentemente? Com base no artigo “Social sciences internationally: The problem of marginalisation and its consequences for the discipline of sociology“, da socióloga alemã Wiebke Keim, tentarei explicar estas e outras questões relativas ao modo como o conhecimento sociológico circula internacionalmente.

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Olhares das Ciências Sociais sobre a produção do conhecimento