Participação e Mudança: O lugar da transexualidade no feminismo.

Por Mayara Farage,

No artigo “Feminismo: velhos e novos dilemas uma contribuição de Joan Scott” Erica Melo Mestre em Sociologia pela UNICAMP abre espaço para pensarmos em uma ponte entre o dilema que Joan Scott aponta no livro “A cidadã paradoxal: as feministas francesas e os direitos do homem” e um problema do movimento atualmente. Os dois dilemas estão ligados por um ponto em comum: a anatomia dos corpos humanos.  Os corpos femininos foram negados e afirmados para legitimar o movimento feminista. E nessa dicotomia os corpos de mulheres transexuais se tornaram hoje uma barreira para sua aceitação por algumas partes do movimento.

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Da academia ao debate público: um enfoque sociológico à questão da punição de jovens infratores

Por Aurea Thatyanne Ferreira

Em tempos de debate sobre a redução da maioridade penal, é importante questionarmos o que a análise sociológica acrescentaria à discussão. Ante o enfoque da sociologia da violência e da sociologia da punição, a socióloga Bruna Gisi Martins de Almeida escreveu o artigo “Socialização e regras de conduta para adolescentes internados”, onde tece observações sobre os impactos causados pela internação, ou encarceramento, aos jovens infratores.

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Irrelevância Sociológica

por Vinícius Volcof Antunes,

Em texto bastante polêmico publicado pelo The Chronicle of Higher Education em julho, a pesquisadora Danah Boyd questiona o risco da perda de relevância das ciências sociais devido a nossa estrutura acadêmica e a postura apartada que temos diante das reflexões que partem da própria sociedade. Em Why Social Sciences Risk Irrelevance? (Por que as ciências sociais correm o risco da irrelevância?, em português), seguindo a discussão iniciada por Kenneth Prewiitt, Boyd argumenta que as mesmas bases que construímos para garantir nossa legitimidade e, mais pragmaticamente, o próprio financiamento de nossos estudos, têm causado o efeito perverso de nos afastar das questões que a sociedade faz sobre si mesma e hierarquizado nosso trabalho, de modo a limitar os diálogos tanto internos quanto externos ao espaço acadêmico. A seguir, reproduzo as ideias gerais do artigo, com traduções próprias dos enxertos inseridos, complementando com reflexões e eventuais críticas sobre algumas de suas afirmações.

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As diferenças como alternativa

Por Mayara Abrahão,

O que é universal e o que é particular? Segundo o teórico político Ernesto Laclau (2012), o universal é um particular tornado hegemônico. Assim, todas as identidades são particulares, ou seja, todas as culturas possuem formas particulares e próprias. O universalismo é uma maneira de dominação, porque classifica as diferenças como desvios. No mesmo sentindo, ao tratar da “invenção” da América Latina, o intelectual argentino Walter Mignolo (2008) demonstra o estabelecimento da diferença racial, a partir de um ideal universal de humanidade baseado no homem branco europeu, como principal forma de dominação e apagamento de identidades.

A discussão sobre universal e particular se apresenta de forma complexa, visto que as relações contemporâneas estão baseadas na diferença. O desenvolvimento do chamado Ocidente se deve a essa divisão, portanto, pares como universal/ particular ou moderno/ colonial possuem uma relação de interdependência, onde um não pode existir sem o outro. A proposta de Mignolo é a de que se criem pensamentos resistentes (“fronteiriços”), contra-hegemônicos que, em vez de negar a modernidade, evidencie-se o “outro lado”. Continuar lendo As diferenças como alternativa

As lutas das mulheres numa era global

Por Barbara Grillo e Ed Machado

e32 (1)m um mundo cada vez mais globalizado, a emergência de conflitos tem constituído desafio não só para os movimentos sociais, mas também para a própria sociologia. Pensando nos processos globais e  a construção de identidades políticas, ações coletivas e como se estruturam os movimentos sociais, procuramos fazer algumas reflexões sobre processos dentro do movimento feminista contemporâneo. Para isso, utilizaremos a perspectiva de sociedades globais, como também análises sobre a formação de identidades coletivas na globalização e o conceito de individualização. Pensando os feminismos como uma mobilização heterogênea, ressaltaremos os paradoxos emergentes nesses movimentos, observáveis globalmente.  Além disso, enfatizaremos a importância dos processos individualizatórios para a percepção das mulheres como uma classe, relevante para a formação de movimentos sociais protagonizados por essas mulheres. Continuar lendo As lutas das mulheres numa era global

Modernidade Anacrônica

Por Mayara Abrahão,

A partir das discussões sobre colonialidade e pós-colonialismo, compreendemos que a construção do imaginário social atravessa diversas esferas, como a política, a economia e a cultura. Podemos pensar a cultura e a arte sob a perspectiva pós-colonial, compreendeendo tanto a influência do pensamento colonial sobre as expressões artísticas e culturais como também a contribuição destas na formação de uma (ou muitas) identidade coletiva.

A cultura, como defendem autores como Aníbal Quijano e Aimé Césaire, é uma esfera de ressignificação de valores e de criação de sentidos que constroem identidades. Por isso, a Sociologia da Cultura pode contribuir em debates pós-coloniais, oferecendo ferramentas para a compreensão de fenômenos políticos, históricos e sociais. A partir da discussão promovida pelo historiador da arte Luiz Camillo Osorio podemos avaliar o significado das expressões artísticas no Brasil nos últimos cinquenta anos como respostas não só ao modelo tradicional de arte, mas ao pensamento colonial. A arte e a cultura têm papel fundamental tanto na representação de normas como no questionamento e na transformação destas. Continuar lendo Modernidade Anacrônica

O legado de Neide Esterci às ciências sociais

por Vinícius Volcof Antunes

No último dia 20 de junho, o Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ recebeu o seminário A contribuição de Neide Esterci para os estudos rurais e ambientais no Brasil, organizado pelo Núcleo de Desenvolvimento, Trabalho e Ambiente (DTA) do departamento de ciências sociais da instituição. Na ocasião, colegas de longa data, parceiros de pesquisa e orientados acadêmicos puderam homenagear uma das pesquisadoras mais relevantes da antropologia rural e ambiental brasileira, autora de mais de nove livros e vinte e cinco artigos, que este ano aposentou-se de suas funções.

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Olhares das Ciências Sociais sobre a produção do conhecimento